Ao completar 18 edições esperava-se que o Festival de Curitiba atingisse também a maturidade. Afinal, são 18 anos de estrada, percalços, saldos negativos e positivos. Uma série de experiências que, somadas, deveriam dar ao evento cacife suficiente para evitar os constrangimentos que revelaram-se comuns na 18 edição. Nesse tempo, porém, é inegável que o festival também tenha ajudado a formar um público que vai ao teatro ávido por informações e não apenas por entretenimento. Mesmo público que, ganhando cortesias ou comprando ingressos, aprendeu a reagir aos equívocos.
Em algumas peças, os atrasos foram recebidos com palmas em protesto, como no espetáculo ''A Cabra ou quem é Sylvia?'' que atrasou 40 minutos na estreia. Em outras, como em ''Calígula'' ou ''Maria Stuart'', a reação do público, saindo em debandada, mostrou que a plateia não se contenta mais apenas com nomes globais no elenco. Quer também respeito e qualidade em cena.
Essa é uma vantagem: o público parece mais participativo e crítico para o que se vê em cena. Aplausos são para quem os merece (há excessões, claro). Portanto, é preciso, com urgência, rever a qualidade dos espetáculos trazidos para o evento. Crise nem sempre é sinônimo de má qualidade, como bem provou o monólogo ''O Estrangeiro'', direção de Vera Holtz, com Guilherme Leme no elenco e uma das boas surpresas da mostra oficial.
No universo das peças tidas como autorais, longe de celebridades no elenco, a receptividade do público foi mais calorosa, como no caso de ''Rainhas'' (provavelmente a melhor da mostra), ''Inveja dos Anjos'', ''A Mulher Que Ri'' e ''Auto Peças''. Todas estas primaram por um esmero na dramaturgia e, principalmente, nas atuações.
O que se espera da curadoria que trabalha durante todo o ano, aliás, é uma garimpagem do que há de melhor no teatro brasileiro e não apenas espetáculos comerciais que são garantia de bilheteria. Organização e profissionalismo, claro, também são muito bem-vindos num evento desse porte. O público agradece.

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