Maioria aplaude a proposta
Arquivo FolhaIntegrantes da banda Blindagem (acima) e Relespública
apóiam o projeto: todos querem mais espaçoMaioria aplaude
a proposta
O mercado musical parananense é unânime em apoiar a iniciativa do deputado Renato Adur. Músicos da nova e da antiga geração e profissionais da área afirmam que há muito tempo aguardavam por uma lei que incentivasse a divulgação de seus trabalhos.
Acho que esta medida é tardia, pois muito já foi desperdiçado no Paraná, diz o baterista do Relespública, Emanoel Moon. Ele critica o fato da prefeitura e do Estado pagarem estadia e passagem para artistas de fora, quando este dinheiro poderia ser usado para pagar o cachê de muitos músicos locais. E todo mundo ficaria feliz, brinca ele.
O músico lembra, por exemplo, do lançamento do projeto do Canal da Música, quando o pianista Artur Moreira Lima foi trazido a Curitiba para tocar para 50 pessoas. Vários artistas daqui poderiam ter tocado, afirma.
No caso do projeto ser aprovado, Moon alerta apenas sobre o cuidado que deve existir para que não haja discriminação. Espero que o rock-n-roll não seja esquecido.
O baixista da tradicional banda Blindagem, Paulo Juk, confessa que foi pego de surpresa com a apresentação do projeto de lei. Acho que veio em muito boa hora, afirma. Ele disse que recentemente levantou esta questão na imprensa, dizendo que os deputados deveriam defender a classe. Só tenho que parabenizar esta iniciativa.
A banda, que recentemente comemorou os 20 anos de carreira, acaba de voltar do Recife, onde tocou durante três horas para um público de quatro mil pessoas, representando o Paraná numa festa da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav).
É um absurdo encontrarmos lá um espaço que não temos aqui, critica. Juk diz acreditar que a aprovação do projeto de lei crie uma consciência artística que ainda não existe no Estado. Não espero que a banda Blindagem seja contratada para os eventos, mas que os artistas do Paraná tenham mais espaço, diz. Em sua opinião, nomes como João Lopes e Ivan Graciano deveriam ter mais chances.
Se a aprovação do projeto representa uma revolução para os músicos, na Rádio Educativa do Paraná ela não significará grandes alterações. O diretor da rádio em Curitiba, José de Mello, explica que atualmente 38% da programação é voltada para a música parananese.
O compositor Lápis, por exemplo, que teve vários de seus sucessos cantados por vozes nacionais, é um dos artistas sempre presente na programação da Educativa. Segundo Mello, outros nomes constantes são o de Sérgio Bientinez, Ronald Magalhães, Iso Fisher e do grupo Gralha Azul, de Paranavaí.
Mello afirma achar interessante o projeto de lei, inclusive para as novas emissoras da Educativa que estão nascendo em cidades como Francisco Beltrão, Maringá, Londrina, Cascavel e Foz do Iguaçu. Segundo ele, nestes locais, nem sempre a execução de músicas paranaenses chega aos 25%. A aprovação da lei deverá causar pressão, mas desde que ela receba o acompanhamento e a exigência necessárias, afirma.
(S.M.)





