Fez - ''Balak, balak!'' Grude na parede das vielas de Fez assim que ouvir essas palavras. Elas significam ''atenção'' e anunciam a passagem do meio de transporte mais comum por lá: um burrinho. Carregando engradados de Coca-Cola, o animal contrasta com a aparência medieval do labirinto de quase 9 mil tortuosas e por vezes malcheirosas ruelas que formam a maior Medina do mundo árabe.
Fundada no fim do século 8, a Medina é o centro histórico da cidade. Considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, ela abriga uma surpresa em cada uma de suas incontáveis esquinas. Mais ou menos divididas por ramo de atividade, as lojinhas se espalham por toda a extensão da Medina. Nelas são vendidos de jóias a tecidos, passando por um sem-número de bugigangas baratas.
Tais quinquilharias são muitas vezes vendidas por meninos que perambulam pelas ruelas atrás de turistas, muito mais insistentes que qualquer camelô brasileiro. Outros garotos na Medina fazem lembrar as crianças nos faróis de São Paulo e ''colam'' nos estrangeiros pedindo em francês ou no idioma que ele achar que combina com você moedas, lápis e canetas.
Mais interessantes que as banquinhas de bugigangas são as lojas especializadas que abrem seus ateliês para os visitantes. Há, por exemplo, tecelagens onde é possível acompanhar o processo do tear no feitio do tapete e oficinas cujos artesãos gravam peças em cobre na sua frente. Porém, as mais originais são as que vendem artigos de couro. Por trás dessas lojas estão as famosas e imperdíveis ''tanneries'' de Fez: espécies de curtumes que remontam a técnicas marroquinas milenares. Neles, peles de animais como vaca, camelos e cabras passam por diversos processos, que vão desde a retirada dos pêlos até o tingimento com pigmentos naturais, passando pelo curtimento do couro em tanques cheios de substâncias preparadas com a casca de árvores de romã.
No entanto, o aroma predominante no ar passa longe das romãs. O cheiro do couro curtido é bastante forte e só não fica insuportável porque o turista ganha um raminho de hortelã, que não vai sair da frente de seu nariz, que permite com que ele aprecie um dos mais vívidos símbolos de Fez.
Antes de sair da Medina, visite dois dos colégios teológicos e culturais conhecidos como madrassas. Bou Inania é a mais antiga (e possivelmente a mais linda) do mundo islâmico. Apesar de ter sido fundada em 1350, está em perfeito estado, graças a um cuidadoso projeto de restauração. Já a madrassa El-Attarine é um pouco menos suntuosa. Um detalhe curioso a respeito das duas é que ambas serviram de locação para as cenas de ''O Clone'', novela da ''Rede Globo'', que foram rodadas em Fez.
Fora da Medina, Fez tem outros pontos turísticos, ainda que menos exóticos. Na parte ''nova'' da cidade (Fès El-Jedid, de 1276) estão o Palácio Real e o curioso bairro judeu batizado de ''mellah''. Outro local de destaque é a região conhecida como Ville Nouvelle. Criada durante o protetorado francês, tem bulevares e largas avenidas que abrigam lojas de souvenirs, lan houses e charmosos cafés e casas de chá. (M.D.B./AE)

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