Maio de 68 na visão de Bertolucci
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de fevereiro de 2002
France Presse 
Roma - O cineasta italiano Bernardo Bertolucci volta a realizar um filme político 25 anos depois do mítico Novecentos, no qual vai contar o prólogo das revoltas estudantis de Paris em maio de 1968.
O filme, que começará a ser rodado no final de maio em Paris, onde o diretor já começou a escolher o elenco, ainda não tem um título definido e é baseado em um livro do escritor Gilbert Adair.
Segundo o jornal italiano La Repubblica, Bertolucci vai narrar uma história íntima ambientada em um contexto muito especial, o clima imediatamente anterior ao chamado Maio de 68, que marcou gerações de jovens em todo o mundo, com o início de uma época de liberação em todos os setores.
Será uma história de jovens, que não começará mas que terminará nas praças e ruas tomadas pelos estudantes, uma história de pouco antes da revolução, escreve o jornal, que lembra que o segundo filme de Bertolucci se intitulava Antes da revolução (1964).
Mestre do desejo, desde o arrebatado O último tango em Paris (1972), que então suscitou escândalo, Bertolucci, 60 anos, regressa ao cinema político, que de certo modo abandonou por histórias mais íntimas e privadas.
Seu último trabalho, Assédio, realizado para a televisão, descreve a gradual atração entre duas pessoas que provêm de dois mundos culturais completamente diferentes, quase em confronto, como o de um inglês e uma africana, que convivem em Roma em uma luxuosa residência em decadência.
Para o autor de O conformista (1970), baseado em um livro do escritor italiano Alberto Moravia, sobre a relação entre o fascismo e a burguesia, e de Novecentos (1976), um afresco interminável sobre a história da primeira metade do século XX na Itália, trata-se de regressar a um momento histórico chave desse mesmo século.


