Maio de 68 é tema de debates
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
A Linguagem do Novo: Expressão dos Conflitos e Intenção de Mudança é o tema de hoje na programação dos debates Desejos de Transformação - 30 anos de maio de 68, da Secretaria de Estado da Cultura. O debate fica a cargo do jornalista, escritor e professor Emiliano José da Silva Filho, autor das obras Carlos Marighella - inimigo número um da ditadura militar e Lamarca: o capitão da guerrilha, e do professor de História da Universidade Federal do Paraná, Marcos Napolitano. A mediadora é a professora do Departamento de Filosofia da UFPR, Judite Maria Barbosa Trindade.
Na definição de Emiliano José, a década de 60 marcou pelos anos mágicos. Não que tenham necessariamente decidido, mas deixou um conjunto de marcas nas nossas vidas. 68 foi o ano do impulso, para que a juventude refletisse nas mudanças de uma sociedade, diferente da capitalista, observa.
Este sentimento perdura, segundo Emiliano, pelo menos do meu ângulo individual continua no consciente, está imbuido no espírito. Com uma reflexão amadurecida, posso dizer que este mundo em que vivemos não é o meu mundo, nem o mundo da Humanidade. Ele afirma não acreditar que o capitalismo tenha as soluções para os problemas da Humanidade.
Para o escritor, o ano de 68 e as reflexões provocadas como militante estudantil e como preso político durante quatro anos (de 1970 a 1974) permitiram uma visão melhor de mundo. Amadureceu a reflexão sobre a sociedade. Hoje, todos têm de se submeter à lógica da globalização, que pode ser positiva dependendo de como o homem a assuma, só que, com certeza, vai favorecer a poucos, analisa.
A questão da arte em torno dos acontecimentos de 68 - ano catalisador da década - no campo político e social, será enfocada pelo professor da UFPR, Marcos Napolitano, autor de O Regime Militar Brasileiro. A década de 60 concentra lutas e ao mesmo tempo marca o fim do sonho, o colapso, define.
Na palestra de hoje à noite, o professor Napolitano vai falar sobre o comportamento das artes no contexto revolucionário da década de 60. Foi ao mesmo tempo o apogeu e o declínio das vanguardas, como é o caso da MPB que teve no tropicalismo sua última manifestação de vanguardismo, afirma.
Depois disso, segundo Napolitano, alguns partem para a criação marginal, formam-se guetos culturais. Na mesma época em que outros se tornam cada vez mais inseridos no grande mercado de consumo. Foi a época em que se negava a banalização ao mesmo tempo que a incorporavam.
Há 30 anos, 1968 perturbou a História. Está na hora da História perturbar 1968. Até porque, como diziam os hippies, não se deve confiar em ninguém com mais de 30 anos...


