Berna, Suíça, 11 (AE) - A coreógrafa francesa Maguy Marin, já conhecida no Brasil, é o ponto algo do Festival de Dança suíço Tanztage, em Berna, que termina amanhã. Depois de diversas criações socialmente engajadas, em sua nova peça - "Por assim dizer" -, Maguy Marin esquematiza em gestos e sons o cotidiano das pessoas comuns. O festival começou com "Apetite", do grupo Damaged Goods, dirigido pelas americanas Meg Stuart e Ann Hamilton, esta conhecida dos brasileiros pois suas esculturas representaram os EUA, na Bienal de São Paulo de 91.
O público jovem teve direito ao grupo holandês De Meekers, dirigido por Arthr Rosenfeld, considerado o Woody Allen da dança, com sua nova criação "Opblaashelden". Uma novidade foi o grupo de dança moderna costariquenho Diquis Tiquis, de Sandra Tejos e Alejandro Tosatti, com "Paredes de Brilho Tímido", nada a ver com dança folclórica mas rica em expressão corporal.
O grupo alemão Tanztheater Munster se destacou com sua dança inspirada na peregrinação a Santiago de Compostela, rota mística do catolicismo. O coreógrafo é Daniel Goldin, vindo da escola de Pina Bausch.
A grande inovação do Tanztage de Berna foi um grupo formado por robôs, Chico Macmurtrie & Amorfic Robot Works, controlados por computador e pressão de ar.
A companhia suíça de Philippe Saire, que já esteve no Brasil, dançou "Faust". As crianças tiveram direito a um espetáculo do grupo holandês Dansend Hart, com a dança "Geen Assepoes", uma versão russa de "Cinderela", com música de Prokofiev, porém adaptada à vida moderna.
Filha de pai espanhol, refugiado na França depois da Guerra da Espanha, Maguy Marin ficou 16 anos com seu grupo de dança, num município de esquerda, na periferia de Paris, Creteil. Transferindo-se para a região central da França, depende agora de subvenções de um prefeito de extrema-direita.
Maguy, uma das mais respeitadas coreógrafas francesas, confessa viver um momento de perigo, já que outros artistas foram sancionados pela extrema-direita com o corte de subvenções. A peça "Por Assim Dizer", mostrada no Tanztage, faz parte de uma trilogia.. É uma interrogação sobre as percepções fugitivas do tempo, com numerosas respostas sobre o tempo pessoal ou impessoal, que se exprimem através um jogo de linguagem. As duas outras peças da trilogia são "Vaille que Vaille" e "Quoi quil en soit".

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