Magritte ganha museu próprio
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terça-feira, 02 de junho de 2009
Daniela Rocha<br> Folhapress 
Autor do famoso quadro com um cachimbo e os dizeres: Ceci nest pas une pipe (isto não é um cachimbo), o surrealista belga René Magritte, tem, a partir de agora, um museu em Bruxelas inteiramente dedicado às suas obras.
Em paráfrase não intencional, Michel Draguet, diretor-geral dos Museus Reais de Belas Artes da Bélgica, define: Magritte não é um pintor. Mas explica: Seu trabalho tem relação com a literatura e com a difusão da imagem poética. Ele mostra um universo imaginário em que linguagem e objeto criam uma nova relação.
O visitante vai conhecer toda a vida e obra de Magritte (1898-1967). A coleção reúne 149 obras, entre elas 75 pinturas, 58 guaches e desenhos. Além de filmes, cartazes, objetos, fotos, cartas e publicações até então conservados nos arquivos reais da Bélgica. É a maior coleção do artista no mundo - disposta de forma cronológica e de maneira que o visitante faça uma relação entre as obras e a cidade, diz Draguet, que considera Magritte o revelador da identidade cultural belga.
Em sua obra, Magritte mostra que as palavras e seus significados nos enganam. Após romper laços com André Breton, um dos principais nomes do surrealismo francês, criou em apenas alguns meses, especialmente para uma exposição em Paris, uma série de obras caricaturais em cores vivas para reafirmar sua independência como pintor.
Não procure explicações, dizia. As pessoas que procuram significados simbólicos não conseguem captar a poética e o mistério inerentes à imagem [...] Ao perguntar o que isso significa, elas expressam o desejo de que tudo seja compreensível. Para René Magritte, a arte serve, antes de tudo, para mudar nossa percepção do mundo.


