Magnetismo animal
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terça-feira, 26 de março de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
Utilizar animais em cena é um recurso bastante explorado pela teledramaturgia. E, quase sempre, são cães e gatos simpáticos que mais aparecem mostrando suas "habilidades" diante das câmaras. Mas bichos menos comuns de serem tratados como "pets" também têm ganhado espaço nas histórias, como vacas, leitões, patos e cabras.
Seja para estabelecer uma relação afetuosa sincera com alguém ou para amenizar o lado mau de seu dono na trama, um animal, em muitos casos, acaba exercendo a função de mais um personagem dentro daquele contexto dramatúrgico.
A presença de um bichinho, aliás, atualmente, é aproveitada por todas as emissoras que investem em produção de novelas. "Estou desde dezembro me preparando para o papel e, logo no início do mês, eu fui visitar a cabra, a alimentei, fiz carinho, tudo para ter essa cumplicidade em cena. Amo animais e me encantei com as cabras", anima-se José Loreto, que interpreta o Candinho de "Flor do Caribe", um rapaz com jeito de criança que vende o leite de sua cabra pelas redondezas. Na história, o bicho se chama Ariana porque o autor Walther Negrão quis prestar uma homenagem ao escritor Ariano Suassuna. Tratada quase como gente no folhetim, nos bastidores, ela e Loreto também estão se dando bem. "Candinho é um sujeito puro e sensível. A relação dele com a Ariana é muito legal e tem esse ar fraternal e infantil. Para isso, foi preciso conhecer a cabra e ter uma relação de afeto com ela", explica o ator.
Tendo como principal público as crianças, já era de se esperar que "Carrossel" ganhasse um cachorro em sua trama. Rabito, que na vida real se chama Fenômeno, é o grande companheiro de Mario, interpretado por Gustavo Daneluz. Depois de encontrar o cão abandonado na rua, o menino o leva para a casa, dando início a uma grande amizade entre os dois. "É um cachorro muito meigo, extremamente obediente, nem parece cachorro", assegura o ator mirim.
Às vezes, no entanto, é preciso ter um pouco de paciência no estúdio. Não é sempre que o cãozinho obedece ao comando que lhe é dado na cena. "Gravar com animais é complicado. Nem sempre ele está com atenção total ao adestrador. Algumas vezes, o trabalho é longo, mas o resultado final é positivo", pondera o diretor Reynaldo Boury.
A boa relação entre o bicho e seu dono nas novelas prevalece. E, no caso de "Salve Jorge", toda a vilania de Russo, personagem de Adriano Garib, se dilui quando ele aparece ao lado de Iuri, um gato persa do qual cuida como se fosse filho. Dessa forma, o bichano serve como um elemento que mostra que até um bandido que trancafia e bate em mulheres pode ter algum sentimento mais puro. "A partir dos gatos, a gente vê uma faceta mais humana dele, uma faceta mais insegura. Tenho a chance de tirar o personagem desse lugar truculento", avalia o ator.
A simpatia por animais é algo que também faz parte do universo de Walcyr Carrasco. Tanto que, volta e meia, o autor insere algum bicho em suas histórias. Foi assim com "Morde & Assopra", "Caras & Bocas", "Alma Gêmea", "Chocolate com Pimenta" e "O Cravo e A Rosa", que tinham uma mini-vaca, um macaco, uma pata, uma vaca e uma leitoa, respectivamente. Para ele, os animais acrescentam leveza às tramas. "Eu adoro animais. Na época de 'Alma Gêmea', morava em um condomínio que tinha patos", recorda Walcyr, que contará com um cachorro em sua próxima novela, "Amor À Vida", substituta de "Salve Jorge".
Também trabalhando nos primeiros capítulos de seu próximo folhetim, Ricardo Linhares revela que, em "Saramandaia", João Gibão, personagem de Sérgio Guizé, será dono de uma loja de passarinhos e terá um pássaro como bicho de estimação. "Como Gibão é um personagem com asas, de realismo mágico, o seu companheiro identifica-se com ele", adianta o autor. Além disso, Dona Redonda, papel de Vera Holtz, terá um cachorrinho de raça pequena, a quem irá mimar bastante. "Mas as raças do pássaro e do cachorro ainda não foram definidas", acrescenta Linhares.
A Record teve uma boa experiência com animais em cena quando contou com a presença de um "poodle" esperto em "Vidas em Jogo". Batizado de Mylow na vida real, na história, ele ficou conhecido como Zé e "contracenava" bastante com André Di Mauro, que interpretava Carlos, seu dono.
O ator pôde conviver durante um tempo com o cãozinho e aprender os comandos que eram úteis em cena. "Ele era tão esperto que, quando o diretor falava 'gravando', ele se levantava. Mas tinha uma cena na qual ele precisava começar deitado. O jeito foi combinar um código para começar sem falar 'gravando'", conta. O cachorro tinha até dublê: um outro "poodle" um pouco mais novo. "O Chiquinho era mais novinho e só queria saber de brincar", entrega.
Atualmente, "Balacobaco" também possui sua mascote: a Dolores, uma fox paulistinha que, na verdade, se chama Tita. Na história, sua dona é Marlene, interpretada por Antônia Fontenelle. "Ela sabe fazer tudo que a gente pede, mas às vezes só faz quando quer", revela a atriz, em tom de humor.
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