Mágicas e invisíveis ondas
Na época existia música. E quem é que não tem saudades de música?. A indagação, uma verdade recheada de um delicioso saudosismo, é feita pelo ex-radialista J. Negrão e consta num determinado trecho de O Rádio em Londrina - documentário feito pelos formandos do curso de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina, Marcelo Rocha e Sidnei Tadeu Cuissi. O vídeo, que fez parte do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), foi apresentado semana passada recebeu nota 9.9. A nota máxima não foi dada porque a banca examinadora entendeu que haveria de ter sido mostrada a programação diferenciada - e sobretudo agradável e sofisticada - oferecida pela Rádio Universidade FM.
O documentário levou seis meses para ser produzido. As 18 horas de gravação foram reduzidas, na edição, para 47 minutos em que Marcelo Rocha e Sidnei Cuissi mostraram a evolução da história da rádio londrinense - da primeira emissora, a Rádio Londrina, que entrou no ar em caráter experimental em 11 de setembro de 43; à entrada da televisão, em setembro de 63, até as FMs e seus loquazes Djs.
Reprodução
O vídeo é repleto de imagens da épocaHá depoimentos importantíssimos. Vários. E é isso que torna O Rádio em Londrina um documentário ágil, direto, emocionante mas igualmente informativo. A começar por Aymoré Kley, um dos patriarcas do rádio londrinense, que informou ter sido Eufrosino Santiago, que nunca havia falado em rádio ou visto um microfone, o primeiro locutor de reclames (comerciais) de Londrina.
O vídeo é repleto de imagens da época, cedidas pela Fundação Cultural de Curitiba, Museu Padre Carlos Weiss e arquivo particular dos entrevistados. O resgate de documentos e imagens, aliás, foi uma das dificuldades enfrentadas por Marcelo Rocha e Sidnei Cuissi. Mas o resultado final é surpreendente, principalmente em termos de produção. Nossa intenção foi de deixar um instrumento de fácil assimilação sobre o história do rádio de Londrina que foi feita de muita luta- diz Marcelo. O nosso objetivo foi deixar um registro sobre pessoas que fizeram o rádio- complementa Sidnei. Ah, sim, trata-se do primeiro documentário em vídeo sobre a história do rádio local.
As entrevistas e roteirização ficaram a cargo dos formandos. A edição foi feita no laboratório de telejornalismo da UEL. Apenas a vinheta de abertura, interessante por sinal, foi terceirizada. A utilização da técnica em chroma-key foi feita nos estúdios da TV Mix. Entretanto, são mesmo os depoimentos que prendem a atenção do telespectadores.
Pelo vídeo passam outros personagens importantes como José Makiolke, Fiori Luiz, Paulo Silva, Ambrósio Neto, J. Matheus. Uma das partes mais agradáveis fica por conta da encenação de uma radionovela, Flagrantes da Vida Real, a cargo de dois monstros sagrados do rádio londrinense - José Makiolke e Vita Guimarães.
Vita Guimarães, aliás, relembra do teste que fez para que entrasse no elenco de Rosa Vermelha, veiculada pela rádio Atalaia, cujo autor do texto era ninguém que o senador eleito, Álvaro Dias. Claro, em O Radio em Londrina não poderiam faltar personagens que tiraram proveito da popularidade e ingressaram na vida pública. Minha primeira eleição foi conquistada basicamente pela minha presença no rádio- afirma Álvaro dias.
Coube ao prefeito Antonio Belinati, que começou sua carreira radiofônica na década de 60, ser mais incisivo em seu depoimento. Toda pessoa que tem um projeto de vida pública tem que entender, reconhecer e valorizar o peso que o rádio tem em nossas vidas- diz ele, que cita também uma gafe, dita pelo próprio, num comercial. Em vez mortadela Diana ele soltou no ar um sonoro mortandela. Foi proibido pelo dono da emissora, segundo o prefeito, de pisar os pés na rádio depois de errar o nome do produto de um dos patrocinadores.
Tempos depois os ânimos se serenaram, Belinati prosseguiu na carreira de radialista até se tornar o que hoje é: um hábil cacique político. Assim como ele e Álvaro Dias, outros e outros tentaram a sorte e se deram bem. Alguns se tornaram, como os dois, notáveis políticos enquanto outros trilharam o caminho do oportunismo e do assistencialismo barato. Bem, mas essa é uma outra história que não consta no documentário.
Se se fala do apogeu, o documentário mostra também o espaço que o rádio perdeu com a chegada da televisão. A novidade fez com que o principal divertimento familiar até então encolhesse o rádio, conforme definição de Antonio Marcos Dameto. As emissoras com programação direcionada - para público católico e evangélico - não foram esquecidas, assim como não deixaram de ser citadas a implantação da primeira emissora de Frequência Modulada, em Londrina, em 79.
Atualmente, Londrina conta com 16 emissoras em funcionamento - dez AMs e seis FMs. O rádio de antigamente era mais bonito, enquanto o de hoje é mais objetivo- afirma Marcelo Rocha. Depois desse trabalho passamos a ouvir mais a programação das emissoras AM- informar Sidnei. Agora a meta dos dois é tentar veicular o documentário em alguma emissora de televisão local. Taí uma boa sugestão para se tornar pública um pouco da história de Londrina contada através dos dials. Os interessados podem entrar em contato através dos telefones (043) 338-2845 ou 323-8818.Paulo WolfgangMarcelo Rocha e Sidnei Tadeu Cuissi: Nossa intenção foi de deixar um instrumento de fácil assimilação sobre o história do rádio de Londrina que foi feita de muita lutaAntônio Mariano Júnior





