'Magic Mike' é conto da carochinha com homens pelados
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sexta-feira, 02 de novembro de 2012
Cássio Starling Carlos <br> <br> Folhapress 
São Paulo - O que pode um corpo? Para responder a essa pergunta que cerca o fascínio exercido pela perfeição física, na qual o termo ''sarado'' se tornou sinônimo de saúde, ''Magic Mike'' desce do olimpo das academias e busca um significado fácil.
Steven Soderbergh retoma a veia de ''Sexo, Mentiras e Videotape'' (1989), seu primeiro longa, para conferir a quantas anda a relação entre tesão, trapaça e a imagem ao alcance de todos. Mas o filme fica bem aquém da demolição da aparência feita, por exemplo, na série ''Nip/Tuck'', ambientada na mesma Flórida embalada a anabolizantes e feromônios.
Channing Tatum, ex-modelo e astro emergente, faz o Mike do título, um cara que vive do apelo do seu corpão. Trabalhador braçal de dia e stripper à noite num clube exclusivo para mulheres, Mike junta a grana que a mulherada enlouquecida coloca em sua sunga. Seu projeto é largar a vida dupla e abrir um negócio, uma empresa de móveis artesanais.
No caminho da desilusão, o gostosão encontra Adam, um perfeito idiota de 19 anos que logo incendeia as fantasias da plateia feminina do clube Xquisite. E esbarra na ambição de Dallas, o dono do clube e stripper veterano que Matthew McConaughey encarna sem pudores de exibir em close a potência dos seus glúteos.
Entre a ingenuidade de Adam e o cinismo de Dallas, Mike percorre um arco que conduz o espectador da amoralidade do sexo casual ao final moralizante, em que o amor tudo salva. No caminho, o filme perde o que tem de mais provocante, além das cenas de nudez.
Mais que a ''Ou Tudo ou Nada'', comédia em que os homens tiravam a roupa para sobreviver aos efeitos da crise econômica, ''Magic Mike'' se aparenta a ''Showgirls'', retrato da ambição que envenenava a ideia de sucesso.
O filme de Soderbergh, contudo, prefere restituir a crença nos valores. Depois de uma primeira hora que tira bom proveito da mistura de sacanagem e diversão, a segunda parte entra numa cruzada pelos bons costumes, mostrando que sexo fácil combina com drogas e leva a um universo sem saída ao qual só sobrevivem os pervertidos.
A opção conservadora transforma ''Magic Mike'' numa versão atual dos contos da carochinha, só que apimentado com muitas cenas de homens pelados.


