Magic Johnson queima o filme na TV
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sexta-feira, 12 de junho de 1998
Guto Barra Plant Pop/AE 
Magic Johnson está de volta ao spotlight. O maior astro do basquete norte-americano é agora apresentador do talk-show Magic Hour, que acaba de estrear nos Estados Unidos. Seguindo o mesmo formato de programas como o de David Letterman e Jay Leno, o show coloca o ex-jogador em uma situação constragedora ao lado de seus convidados. O programa, que vinha sendo notícia há mais de um ano, desaponta por não arriscar em termos de formato e principalmente pela crueza de Johnson.
Depois de se tornar o jogador mais querido dos Estados Unidos no fim dos anos 80, ele comoveu o país ao revelar, em 1991, que era portador do vírus HIV e que encerraria sua carreira no auge, aos 32 anos. Logo depois ele saiu de cena para fazer tratamentos e logo reapareceu com uma série de idéias na cabeça e com a saúde recuperada. Ele montou a Magic Johnson Foundation, dedicada a tratar de pessoas com Aids, se transformou em porta-voz da doença em eventos oficiais e ainda teve tempo de abrir cadeias de cinemas estrategicamente instaladas em comunidades negras menos privilegiadas.
Nunca imaginei que Deus tinha esta missão para mim, de alertar as pessoas para a doença, disse Johnson em uma entrevista ao TV Guide. Este foi o principal motivo pelo qual ele resolveu se tornar apresentador de seu próprio talk-show, além, é claro, de sua experiência na TV. Chegou um momento em que eu já tinha ido tantas vezes em programas como o de Jay Leno e de Arsenio Hall que comecei a achar que era hora de ter o meu talk-show, diz.
Infelizmente, milhagem à frente da mesa de entrevistas não é sinônimo de capacidade para a função inversa. Apesar de ter carisma nas quadras, Johnson é inseguro, insosso e lento quando está na frente da câmera. A estrutura do programa também prejudica o desempenho dele por conta de piadas com pouca graça e cenas forçadas. A maior vítima de Magic Hour, no entanto, é a percussionista Sheila E., que ficou conhecida por acompanhar o artista então conhecido como Prince nos anos 80. Ela lidera uma banda rítmica com influência latina que faz interferências durante o programa. O problema é que ela também tem de servir de escada para as brincadeiras decoradas roboticamente por Johnson.
Para compensar os problemas, o talk-show tem como trunfo os contatos feitos por Johnson em seus anos de estrelato e atividades beneficentes. O ex-astro dos Los Angeles Lakers conseguiu as participações de Mel Gibson e Cher no piloto de seu programa, que incluiu também uma interferência telefônica do presidente Bill Clinton. A gravação não chegou a ser exibida. No programa de estréia as atrações não ficaram atrás, com Arnold Schwarzenegger e Whitney Houston. No quarto show, exibido na noite de quinta-feira, as atenções se dividiam entre nomes desconhecidos da TV norte-americana e uma aparição relâmpago de Samuel L. Jackson, de Pulp Fiction e Jackie Brown.
O envolvimento de Johnson com comunidades negras com certeza deve direcionar boa parte da audiência para esta fatia do mercado. O público negro, rebatizado de urban nos últimos anos, ganhou em 1997 o Keneen Ivory Show e o Vibe, produzido pelo conglomerado de Quincy Jones. Os dois programas não se tornaram fenômenos de audiência e tiveram problemas operacionais durante a temporada passada.
Johnson e sua empresa de entretenimento estão pretendendo fazer do Magic Hour um ponto de partida para o lançamento de filmes e séries de TV para canais como a Fox Family e a TNT. Acho que vou fazer esse programa por muito tempo, diz o apresentador. Espero poder continuar a fazer a vida das pessoas melhor e mais fácil. Para isso acontecer, só melhorando muito a performance.


