O Brasil como atração turística foi o tema principal da reunião da SATA - South American Tour Association, realizada no salão de convenções do Marriot Hotel em Orlando, na última quinta-feira à noite. Organizado pela TAM, a exposição seguida da mostra audiovisual também teve a participação da Vasp, Lan Chile, entre outras companhias aéreas e operadoras que tem a América do Sul como foco de seus negócios.
Durante mais de uma hora, praticamente todo o Brasil foi mostrado para agentes e operadores americanos. São Paulo foi apresentada como uma megacidade de negócios, o Rio pela sua beleza natural, a Amazônia pelo exotismo de sua floresta, o Pantanal pelos seus animais, o Nordeste com suas praias e a diversidade cultural, as Cataratas do Iguaçu e Itaipu pela força das águas e até Brasília com um apelo da arquitetura moderna.
Com a desvalorização do real aumentou o poder aquisitivo dos americanos no Brasil, mas nem assim tem sido fácil atrair o gigantesco mercado de turista dos Estados Unidos. Para o gerente de vendas da TAM em Miami, José Carlos Frandji, há uma série de motivos que dificultam a conquista dos americanos.‘‘Há um profundo desconhecimento. O turista americano não sabe o que vai encontrar de belo e atrativo no Brasil. Para eles, a distância é longa, já que a maioria tem apenas uma ou duas semanas de férias por ano e não podem perder muito tempo durante a viagem. Além disso, temos competidores de peso bem próximo deles, como a Costa Rica, o Caribe, o México e ainda a Europa que é um ponto tradicional de viagem dos americanos’’.
José Carlos diz que o Rio de Janeiro ainda é a principal atração para os americanos, em termos de lazer, enquanto São Paulo é referência para negócios. Para o gerente de Vendas e Marketing da Vasp, Glauco de Paula Santos, a estratégia para alcançar os americanos é a busca de explorar grupos de interesses específicos.
‘‘O Brasil é muito grande e diversificado. É impossível conhecê-lo, da Selva Amazônica as serras do Rio Grande do Sul em uma semana ou dez dias. Por isso buscamos os grupos de interesses específicos para criar pacotes próprios.Se o grupo tem interesse em arquitetura, apresentamos o modernismo de Brasília e o barroco de Ouro Preto; se o interesse é negócio, mostramos São Paulo; se enfoque é pescaria ou animais indicamos o Pantanal; se é floresta, Amazonas; se é a cultura afro, a Bahia e assim por diante’’.
Para Glauco, só com grupos específicos será possível conquistar os americanos. Para o gerente da Vasp, o crescimento do turismo europeu no Brasil tem sido muito mais significativo do que o americano. ‘‘O europeu, até por questão de laços culturais conhece muito mais a história do Brasil do que os americanos.
Um outro fator é que o europeu consegue desfrutar o próprio improviso da viagem, aproveitando cada detalhe, seja um clube noturno ou uma caminhada no campo, enquanto o americano é muito organizado e metódico, não tendo interesse por coisas que quebram a rotina. Tanto que antes da viagem querem saber tudo sobre os locais e a hospedagem, inclusive se tem a CNN na TV do hotel. Isso significa que eles viajam, mas não conseguem se desligar, um espírito diferente dos europeus que querem aproveitar o máximo o passeio’’, compara.Arquivo FolhaAmazôniaExotismo da selva é opção ao Rio de Janeiro, a principal atração brasileira para os norte-americanos quando o assunto é lazerEdinelson Alves
Especial para a Folha

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