ReproduçãoCenário irretocávelA Ponte Carlos IV, do século 14, ornamentada por estátuas barrocas resiste, ainda hoje, ao vaivém dos moradores, turistas e artistas popularesTorres, pontes e palácios. Assim é Praga, chamada de Paris do Leste Europeu por sua beleza. Charme e história gravados em blocos de pedra e ferro, seja na fachada de um prédio ou em uma de suas inúmeras esculturas públicas. A cada quarteirão ou beco da capital da República Checa surge uma surpresa, salta um detalhe no cenário a prender o olhar. O turista fica perdido, desorientado, sem saber para onde dirigir a atenção. Tudo é digno de foto.
Ao contrário de alguns lugares reproduzidos em milhares de cartões-postais, Praga é mais bela no inverno. É a época em que seus mistérios seduzem os visitantes, tornando-a mais fotogênica. Nos meses em que a luz se torna escassa (até meados de março), a cidade ganha contornos inesperados. Basta se deter por alguns momentos na Ponte Carlos IV, no meio da noite (que pode ser às 16 horas, no inverno), entre as sombras da lua projetadas pelas torres góticas e estátuas barrocas, para ter uma idéia dessa atmosfera especial. Uma das passagens obrigatórias entre a Cidade Velha e o palácio, a ponte (de 1357) resiste, ainda hoje, ao vaivém dos moradores, acrescido pela movimentação de turistas e artistas populares, de músicos a ilusionistas.
ReproduçãoA Cidade Velha é o centro do comércio de PragaMagia maior, porém, é Praga. A cidade induz a um estado que resvala no fantástico. Quando a névoa paira sobre a cidade, torres e campanários, como agulhas, furam uma espécie de véu, etéreo em sua consistência, deixando à mostra seus segredos.
O uso de adjetivos para Praga não é gratuito. Com mais de mil anos de história, ‘‘a jóia mais brilhante da Boêmia’’ sempre foi admirada. ‘‘Incomparável’’ para Wagner e ‘‘venerável’’ na opinião de Rodin. E foi para ela que um de seus hóspedes mais ilustres, Mozart, compôs a ópera Don Giovanni.
Na literatura, Praga é Franz Kafka e vice-versa. Ambos em simbiose - ou metamorfose. O escritor que virou o milênio (1883/1924), judeu tcheco que escrevia em alemão, é o seu mais fiel tradutor. Kafka está eternizado em um busto de bronze e seu rosto virou grife, artigo de marketing. A imagem mais forte do escritor, porém, brota de vielas enviezadas, onde ele sobrevive ao tempo. E é esta a impressão, quase palpável embora incapaz de ser registrada pelo olhar mecânico, que se tem ao estar lá.
Ao embarcar para Praga, saiba que além da visão, do olfato e do paladar (há cafés e bistrôs charmosos e baratos por toda parte), a cidade pede um sentido extra. Algo que transcenda aos limites físicos de percepção, para ser apreciada como se deve.
A viagem de Jacques da Costa Carvalho foi oferecida pela Swissair e Queensberry

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