Magia do teatro
''Foi no Ouro Verde que tive certeza que queria trabalhar com teatro. Ainda estamos na dúvida sobre o que será feito a partir de agora. Parece que estamos órfãos, sem saber o que fazer. É como se parte da minha história tivesse sido queimada junto, um ente querido tivesse morrido. Os alunos sempre tiveram muito orgulho em se apresentar lá. Havia um glamour, uma imponência que complementava a magia do teatro, dava um toque especial ao espetáculo, sendo que o último que fizemos foi o 'Beijo no Asfalto', no ano passado, com a casa cheia nos dois dias de apresentação. Tivemos um dia de luto, mas agora precisamos partir para a luta.''
Silvio Ribeiro, coordenador da Escola Municipal de Teatro
15 minutos de aplausos
''Quando fiquei sabendo do incêndio é como se visse tijolo por tijolo desse patrimônio cultural caindo. Confesso que chorei, não consegui dormir e sofri muito com mais essa perda significativa na minha vida. Ainda não sabemos a causa do incêndio, mas de qualquer maneira é uma pena que não haja um política mais séria de conservação, manutenção permanente dos patrimônios culturais.
Um dos momentos mais marcantes que presenciei no Ouro Verde foi a apresentação durante o Filo, na década de 90, do dançarino e coreógrafo Kazuo Ohno (1906-2010), de teatro butô, que fez cerca de mil pessoas chorarem e o aplaudirem por quase 15 minutos. As pessoas só pararam após o filho dele pedir. Foi emocionante. A história é feita junto com a cultura, é inevitável, embora o poder público pareça não reconhecer isso. Sinceramente não tenho muitas razões para ser otimista, para acreditar que neste ano o teatro seja reconstruído, e é necessário uma grande congregação da população para que isso se torne realidade.''
Nitis Jacon, presidente de honra do Filo





