Magia do circo invade o festival
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quinta-feira, 29 de maio de 1997
Ranulfo Pedreiro 
DivulgaçãoQue-Cir-Que: instrumento de trabalho é o corpo num show sem palavras que trata dos relacionamentos humanosDesde o final da década de 70 e início dos anos 80 que a arte circense passa por um processo de renovação na França. A tendência se consolidou quando os espetáculos circenses passaram a ser responsabilidade do Ministério da Cultura no país - anteriormente eram vinculados ao Ministério da Agricultura. As mudanças acompanharam as transformações políticas que se acentuaram com governos de tendências socialistas.
Esse contexto, explicado pelo diretor Ueli Hirztel - do Que-Cir-Que, grupo francês que estréia o espetáculo Circle hoje, às 20 horas, no terreno ao lado do estacionamento da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina - propiciou o surgimento da Universidade do Circo na França.
As pessoas tomaram consciência de que a técnica da arte circense é uma forma de expressão, assim como o corpo o é para a dança e uma caneta para a escrita, comenta Hirztel. A primeira turma, formada em 1985, se esmerou em criar novas formas para os espetáculos de picadeiro.
SimplicidadeEsses conceitos foram colocados em prática em 1989, com um projeto que fez sucesso no país e se estendeu até 1993. Os trabalhos de pesquisa continuaram com seriedade, procurando novas técnicas que resultaram no Que-Cir-Que, apresentando um trabalho voltado à simplicidade do momento e na relação do ser humano consigo mesmo e com objetos que ele encontra no cotidiano, esclarece Hirztel.
O resultado de todo esse período de estudos e adaptações é o espetáculo Circle, que exigiu da organização do Filo o transporte de um contêiner com 25 toneladas. No centro da lona - que possui capacidade para 500 pessoas - montada na UEL se estrutura um show sem palavras que retrata diferentes relacionamentos humanos. O grupo foge do heroísmo comumente associado ao circo, segundo Ueli Hirztel: O espetáculo é direto com o ser humano, não traz nenhum super-homem, e o instrumento mais sofisticado é o próprio corpo dos artistas.
O grupo está viajando pela América Latina há quatro meses, e já passou por Santiago e Campinas e só não foi a São Paulo porque o equipamento ficou retido por três semanas na Argentina, em consequência de uma greve no país.
Hirztel comenta que a passagem pela América do Sul está sendo surpreendente: Presenciamos um mundo onde tudo se tenta fazer melhor e mais rápido, e adoramos a curiosidade receptiva do povo latino-americano. O Filo, por exemplo, tem grande respaldo no exterior, e é impressionante um Festival de 30 anos numa cidade com 60.
Os integrantes do Que-Cir-Que preferiram não dar mais detalhes sobre o espetáculo, comentando que a peça é inexplicável justamente por carregar nos sentimentos, em detrimento da palavra, e justamente por isso, o espetáculo pode apresentar variações de cidade para cidade. O show nunca é o mesmo porque o público não é o mesmo. Para matar a curiosidade, só mesmo assistindo à peça. Os ingressos custam R$ 10,00 e podem ser adquiridos com antecedência nas bilheterias do Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85).


