Magali Biff estréia amanhã o monólogo "Boneca do Barco"
São Paulo, 04 (AE) - O papel de zeladora de orfanato na novela "Chiquititas" obrigou a atriz Magali Biff a passar uma longa temporada na Argentina. Agora ela está de volta e não vem de mãos vazias. A talentosa atriz, ganhadora entre outros do Prêmio Shell por sua atuação na peça "K", sob direção de Rubens Rusche, estréia amanhã (05) no Centro Cultural São Paulo (CCSP) no monólogo "Boneca do Barco".
Escrito e dirigido pela argentina Delia Maunás, a peça tem como personagem uma prostituta. Enquanto muda de roupa para "trabalhar", ela conversa com uma suposta iniciante, a quem vai contando casos ocorridos com ela ou amigas de profissão. Magali garante que a peça tem uma delicadeza e poesia muito grandes. "Ela não é uma prostituta como as de Nélson Rodrigues ou Plínio Marcos", compara. "Suas histórias falam de solidão e qualquer pessoa pode identificar-se com elas".
Em parte a explicação está na estrutura do texto, que reúne seis contos de autores distintos, cujas personagens não são necessariamente prostitutas. "Delia alinhavou os contos acrescentando alguns textos entre um e outro e os adaptou para tornarem-se vivências da personagem", esclarece Magali.
"La Mujer Proibida", de Rodolfo Walsh, "Serafin Belisar", de Adela Basch, "La Viuda Negra", de Jorge Abalos, e "El Otro Gardel" são os contos de autores argentinos. Integram ainda o espetáculo "Rain", do inglês Somerset Maugham, e "La Mulata de Cordoba", conto popular mexicano de autor desconhecido.
Para a montagem brasileira, a atriz fez algumas adaptações, substituindo referências tipicamente argentinas. "No conto Viúva Negra, por exemplo, uma prostituta casa e vai viver com o marido num lugar isolado, que eu transpus para o sertão brasileiro". Durante a seca, o marido vai para Manaus, como tantos outros, em busca de trabalha temporário, deixando a mulher só. Ponto de partida para uma história inspirada no comportamento da aranha conhecida como viúva-negra, que devora o macho depois do ato sexual.
Magali Biff é também responsável pela tradução, figurinos e ambientação cênica. Caio Andrade e Wagner Pinto criaram a iluminação, operada pela atriz durante as cenas. Para a atriz, o maior trunfo da peça é mesmo a possibilidade de identificação do público com as histórias.
"Todas as prostitutas sonham com o casamento, com o amor verdadeiro". O conto final, mostra uma mulher condenada à morte que desenha um barco na cela da prisão o que lhe acaba valendo a liberdade. "O realismo fantástico perpassa alguns contos". No fundo, como Xerezade, a prostituta também conta histórias para sobreviver à sua difícil vida fácil. "A vida é difícil para todos e a peça mostra uma mulher que encara as dificuldades de forma muito positiva, daí minha atração pelo texto". (B.N.)





