Máfia é ridicularizada em ''Família Soprano''
Alexandre Maron
Agência Folha
A máfia não é mais a mesma. Retratada com seriedade em diversos filmes - entre eles a trilogia O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola - ou em seriados como O Homem da Máfia, está sendo ridicularizada pela série Família Soprano, que estréia hoje, às 23 horas, no canal pago HBO. Não é a primeira vez que fazem piada com a organização criminosa, mas, a julgar pela forma como o seriado foi recebido nos EUA, o trabalho nunca fora tão
bem-feito. A história é muito similar à do filme Máfia no Divã, com Robert De Niro, Billy Cristal e Lisa Kudrow. Em Nova Jersey, na costa leste dos EUA, o capo mafioso Tony Soprano (James Gandolfini) está desiludido com os novos tempos em que a máfia já não detém o mesmo poder. Diante da pressão de suas duas famílias, a gerência dos negócios escusos e o relacionamento com sua mulher e filhos, passa a sofrer de crises de ansiedade. Assustado, procura uma psiquiatra e começa a consultar-se às escondidas, porque teme ser ridicularizado se os seus inimigos, e mesmo seus aliados, souberem do que está sofrendo. O seriado brinca com essa idéia e a coloca dentro do costumeiro cenário de intrigas das tradicionais famílias criminosas.
Nosso programa fala de pessoas que venderam suas almas ao diabo,
explica David Chase, o criador da série. O elenco é formado por bons coadjuvantes de outros filmes. Usamos atores desconhecidos para garantir que você veja apenas o personagem, conta Chase.
Os 13 episódios da primeira temporada estrearam em janeiro deste ano nos EUA. Desde então, a série virou objeto de culto e as apostas de que faria boa figura no Emmy (o Oscar da TV norte-americana) cresciam a cada mês. Em julho, Família Soprano foi indicada para 16 categorias. É um recorde histórico de indicações para uma série. Além disso, foi a primeira vez que um seriado da TV paga norte-americana foi indicado ao prêmio de série dramática.





