Maestro italiano é destaque em concerto
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sábado, 21 de novembro de 1998
Érika Pelegrino 
Milton DóriaCarmini Carrisi elogia o intercâmbio que o trouxe a Londrina:O Brasil é uma realidade muito distante na Europa quando se fala em músicaO maestro italiano Carmini Carrisi é a atração do concerto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), que acontece hoje às 20h30 no Cine-Teatro Ouro Verde. Esta é a primeira vez que Carrisi vem ao Brasil. Na América Latina ele esteve apenas uma vez, quando visitou a Argentina.
A sua vinda a Londrina para reger a orquestra faz parte do projeto de intercâmbio que a Sociedade de Amigos da Osuel vem desenvolvendo, através de recursos da Lei Municipal de Incentivo da Cultura e da Fundação Nacional da Cultura do Ministério da Cultura. No repertório do concerto estarão peças de Rossini, Martucci, Respighi e Mendelssohn.
A intimidade de Carrisi com a música começou ainda em tenra idade. Aos seis anos ele tocava órgão na igreja de sua cidade natal, no Sul da Itália. Os estudos em música, o garoto iniciou no Conservatório Santa Cecília, em Roma. Diplomou-se em piano no Conservatório Pollini, de Pádua, e em cravo no Conservatório Benedetto Marcelo, de Veneza, sempre com nota máxima.
O maestro estudou composição e regência orquestral no Conservatório Giuseppe Verdi, em Milão. Há sete anos é diretor do Conservatório de Música de Bologna. Carrisi é também diretor artístico e regente titular da Orquestra Regional da Juventude Musical da Itália, com a qual tem se apresentado por vários países da Europa.
As maiores orquestras da Europa já foram dirigidas por Carrisi - Orquestra Sinfônica de Praga, Orquestra Sinfônica de Manitovock, dos Estados Unidos, Orquestra Sinfônica Turca e Orquestra Sinfônica Japonesa. Em toda a sua carreira como regente destaca-se ainda a música de câmara dos séculos 18 e 19 e o fato de ser o fundador, diretor artístico e regente do Laboratório de Música Lírica do Conservatório de Música de Bologna.
Já no primeiro contato com a Osuel, o maestro gostou de ver o entusiasmo e o talento dos músicos. Segundo ele, há muita energia e um grande potencial nos integrantes da orquestra, mas falta profissionalização. Carrisi afirma que o poder público tem que investir mais em música e criar uma política de apoio à profissionalização do músico no Brasil. Não é só dinheiro que faz o desenvolvimento de uma nação, mas também a cultura e a arte.
Na Europa, de acordo com Carrisi, os músicos são profissionais, existem muitos cursos de especialização, e é isto que falta para o Brasil. Na Europa os músicos são especialistas, mas às vezes falta o entusiasmo que encontramos no músico brasileiro.
Na busca da profissionalização, Carrisi considera de extrema importância a ação da Sociedade dos Amigos da Osuel, promovendo o intercâmbio de músicos.
O Brasil é uma realidade muito distante na Europa quando se fala em música. O que mais se conhece é a música popular, mas música clássica conhece-se apenas Villa-Lobos, afirma. O intercâmbio é importante para se conhecer a realidade, os autores e composições tanto para a Itália quanto para o Brasil. A distância se dá pela falta de intercâmbio, complementa.


