Maestro firma convênio com universidades para formação de jovens músicos
Salvador, 28 (AE) - Disposto a lutar para que a cultura brasileira seja conhecida no exterior pelo que tem de melhor, o maestro carioca Nelson Nirenberg, radicado nos Estados Unidos há 27 anos - onde dirige o Programa Orquestral da Montclair State University de Nova York, uma das mais conceituadas dos EUA firmou -, esta semana, convênios com as universidades federais da Bahia e Rio de Janeiro para formação de jovens músicos no País. De passagem pela capital baiana, onde regeu a Orquestra Sinfônica da UFBA na abertura do XVI Seminário Internacional de Música, Nirenberg disse que os artistas eruditos brasileiros, que fazem sucesso dos Estados Unidos e Europa, querem contribuir para aumentar o nível cultural do Brasil através da participação de cursos sistemáticos e outros eventos para aprendizes do País.
"O brasileiro tem a arte no sangue e pode fazer sucesso em qualquer parte do planeta", garante ele, que já participou de 60 concertos em vários países e foi considerado pelo "Los Angeles Times" um "natural e perfeito mozarteano de diamantina transparência". O roteiro musical do maestro inclui além de Mozart, Stravinsky, Krenek, Pandarecki e brasileiros como Villa-Lobos. O maestro reclama da falta de apoio do governo e empresas brasileiras ao artista erudito. "Com o que pagam a um músico não dá nem para comprar a corda de um violino", comparou. Para ele, incentivar a cultura de um país é tão importante quanto ajudar seu crescimento econômico.
"Para o Brasil se afirmar intelectualmemte, precisa de qualidade; imagine onde a cultura nacional vai parar incentivando manifestações como a Tiazinha e o Tchan". Ele lembrou que enquanto os chamados artistas de apelo popular têm grande espaço na mídia, a música erudita não tem nenhuma divulgação. "Mesmo assim a música clássica sempre faz um sucesso extraordinário quando é executada em concertos populares no Brasil", disse. "A beleza de administrar uma nação é elevar o nível cultural do povo e não nivelá-lo por baixo", observou.
Logo que assumiu a direção da universidade americana, Niremberg procurou direcionar os programas de intercâmbio para o Brasil, "pelo grande amor ao meu País e o celeiro de talento que temos aqui". Ele decidiu começar por Salvador pelo fato de ter conhecido o trabalho da Orquestra Sinfônica da Bahia no ano passado, ao reger os músicos em uma homenagem aos 85 anos do escritor Jorge Amado. "Além do mais, aqui é o berço da cultura e da civilização brasileira", disse. Na Bahia e no Rio, o maestro ministrará cursos e selecionará candidados a bolsas de estudos da Montclair State University.





