Impossível não evocar ''Tomates Verdes Fritos'' ou ''Laços de Ternura'' (e bem mais atrás, ''Momento de Decisão'') diante deste ''Divinos Segredos'', a partir de hoje em lançamento nacional (veja a programação de cinema na página 2). As legiões de seguidoras - são filmes primordialmente para mulheres - dos títulos citados com certeza devem agora incorporar este ''The Divine Secrets of the Ya-Ya Sisterhood'' à estante onde já estão velhas fotos misturadas a velhas lembranças.
Baseado em best-seller homônimo de Rebecca Wells, o filme abre em 1937, na Louisiana, onde um quarteto de pré-adolescentes, com estranhas vestes e cabelos, pratica um ritual místico para celebrar votos de eterna e sagrada amizade, criando a tal ''Irmandade Ya-Ya''. A líder é Vivi, que cresce, amadurece e envelhece com as feições de Ellen Burstyn, uma supermãe no melhor estilo da Aurora vivida por Shirley MacLaine em ''Laços de Ternura''. Nesses tempos atuais, quem suporta a personalidade melodramática de Vivi é a filha, Sidda (Sandra Bullock), jovem escritora de textos teatrais aos quais adiciona certos aspectos autobiográficos, em especial a turbulenta relação com a mãe. A moça conseguiu escapar do território das Ya-Ya e vive em Manhattan. Mas algumas inconfidências dela, contidas num perfil publicado pela revista ''Time'', acabam precipitando seu retorno a Louisiana, onde as três velhas amigas de Vivi, Caro (Maggie Smith), Teensy (Fionulla Flanagan) e Necie (Shirley Knight), estão prontas para desfiar a colcha de retalhos materializada em abundantes flashbacks - neles a atenção é centralizada em Vivi moça (Ashley Judd), na verdade um espírito livre forçado pelas circunstancias a andar em vez de voar, e em muitas ocasiões, a beber para não confrontar a realidade.
Dirigido pela estreante Callie Khouri (roteirista de ''Thelma e Louise''), ''Divinos Segredos'' não é o que se pode rotular como um mau filme. Ele se inscreve com mais rigor na vertente de um certo classicismo fora de uso, pesadão - e havia como contrapeso favorável um lado potencialmente light, pouco ou nada explorado. Se o filme é uma tentativa de explorar o relacionamento entre gerações, isto é feito com tal profusão de rodeios e através de tantos atalhos e vias sinuosas que só resta lamentar a sorte destas senhoras atrizes (Burstyn, Smith e Flanagan). Mesmo desperdiçadas, são elas que conseguem redimir em parte este ''Ya-Ya Sisterhood''

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