Mães de peito aberto
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de agosto de 2010
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
Podem dizer que amamentar faz bem à relação entre mãe e filho, que é essencial à boa saúde da criança, que é imprescindível que o bebê seja alimentado exclusivamente por leite materno até os seis meses, que é um ato sublime. São recomendações importantes, mas as fotos da mostra ''Mulheres Londrinenses Amamentando'', em exposição no Shopping Jardim Mall até dia 30, 'falam' muito mais do que mil argumentos.
E foi pensando justamente em sensibilizar as pessoas por meio das imagens que o Comitê de Aleitamento Materno (Calma) da Secretaria Municipal de Saúde resolveu ''encomendar'' a exposição para o Fotoclube de Londrina, aproveitando a ocasião da Semana Mundial do Aleitamento Materno. A ideia era selecionar uma mãe exemplar em cada unidade básica de saúde (totalizando 25) para ser fotografada em sua própria casa, durante a amamentação. Curiosamente, apenas as mulheres do Fotoclube se voluntariaram para fazer a captação das imagens - mais uma prova de que o assunto ainda precisa de uma discussão mais ampla.
Aliás, fazer uma abordagem mais abrangente, mostrando que o aleitamento na verdade envolve não só mãe e filho, mas toda a família, foi uma das propostas da exposição. ''As mulheres estão muito sozinhas em relação ao aleitamento. Elas precisam de apoio, desde os cuidados com a casa até a alimentação da família. Elas precisam desse suporte, e para tanto o apoio da família e da comunidade é imprescindível'', alerta Lílian Poli de Castro, coordenadora do Calma.
Lilian apresenta dados de uma pesquisa apontando que, em 2008, apenas 33,8% das mães londrinenses cumpriam com a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de manter aleitamento exclusivo até os seis primeiros meses. Em 2002, eram 21%. Embora crescente, o número ainda é inferior à média nacional (41%) e da região Sul (43,9%). Ela lembra ainda que a OMS recomenda a amamentação até os dois anos de idade.
Mas, se 98% das mulheres dizem querer amamentar, por que o número das que conseguem é tão baixo? ''Há casos em que diante da primeira dificuldade ela já desiste. Não chega a procurar um profissional capacitado'', explica a coordenadora.
E as dificuldades são muitas. ''É algo que precisa ser aprendido tanto pela mãe quanto pela criança'', observa Soraya Moemi Ito Zakarevicius, uma das mães retratadas na exposição. ''Na primeira semana, eu chorava junto com o bebê. Machucava, sangrava, a boca do Caio ficava cheia de sangue em volta. Ele chorava para mamar e eu pensava, ai, meu Deus, tem que ir mesmo?'', confessa. Hoje com cinco meses, o pequeno Caio é a prova de que o leite materno é mesmo o único alimento de que o bebê precisa até os seis meses.
O mérito não é apenas de Soraya, mas de toda a família que a tem apoiado. Lilian lembra que sem essa estrutura é difícil uma mãe conseguir voltar ao trabalho e manter a amamentação exclusiva. Essa seria uma das explicações para o fato de Londrina estar bem colocada em relação à amamentação até o quarto mês - em 2008 eram 54,8%, para 53,6% na região Sul e 51,2% no País -, mas tenha essa porcentagem tão reduzida nos dois meses seguintes.
Dona de seu próprio negócio, Soraya pode levar o filho ao trabalho e amamentar quando e onde quiser. E, mãe de segunda viagem, não tem a menor vergonha de ir ''pondo os peitos de fora''. ''Amamento em qualquer lugar que estiver, não tenho vergonha, é por uma causa nobre. E mesmo as pessoas veem com outros olhos'', argumenta.
Essa é outra prova de que, para a exposição, as mães não teriam nenhum problema em ser fotografadas por homens. A única diferença foi que as fotógrafas Anna Theodora Berlin, Lourdes da Motta França, Nadia Matsumura, Magda Cruciol, Maria Cristina Alves Penha e Viviane Fujita se sentiram mais à vontade para trabalhar.
''Nós só recebemos orientação de como era a mamada correta para fazer as fotos. Também tivemos a preocupação de não ficar expondo muito a intimidade da mulher, ainda mais se tratando de uma parte do corpo tão velada, e focamos na beleza do ato'', explica a fotógrafa Magda Cruciol, uma das primeiras a abraçar a causa. ''Trata-se de um momento único entre mãe e filho que não há mamadeira que supere'', justifica.
Serviço
-Mulheres Londrinenses Amamentando
Quando - Até 30 de agosto
Onde - Shopping Jardim Mall (R. Santos esquina com Pio XII)
Quanto - Gratuito


