'Mãe Coragem' vai à luta em nova versão
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Francelino França Equipe da Folha 
Curitiba - Quando a veterana atriz Maria Alice Vergueiro se preparava para vestir o modelito Greta Garbo, o diretor Sérgio Ferrara surgiu com a proposta irrecusável de protagonizar o clássico do alemão Bertold Brecht (1898-1956) Mãe Coragem. Maria Alice Vergueiro protelou por um tempo deixar os palcos definitivamente. Ferrara reuniu nomes de peso como José Rubens Chachá, Rubens Caribé, Mariana Muniz, Beatriz Tragtemberg, entre outros, e hoje faz uma das estréias mais aguardadas do 11º Festival de Teatro de Curitiba. A peça Mãe Coragem e Seus Filhos será encenada no Guairinha, hoje, às 21h30 e amanhã, às 20 horas.
A tríade formada por Sérgio Ferrara, Maria Alice Vergueiro e o jornalista e crítico teatral Alberto Guzik fez a adaptação, sem delimitar localidades e dar espaço à guerra dos Trinta Anos (1618-1648), primeira grande guerra européia. A versão que estréia hoje no FTC funde o jovem Brecht e os temas mais comprometidos com a realidade social. Na verdade, protagonizam a história Anna Fierline (conhecida como Mãe Coragem); a carroça repleta de bugigangas que ela negocia pelas estradas e cidades devastadas; e a guerra.
Nós ajudamos Brecht, tenho certeza. A peça montada de forma política é maçante, revelou a atriz Maria Alice Vergueiro sobre a adaptação. Mãe Coragem no início da guerra tenta levar vantagem com o conflito, mas a situação se inverte. Ela vai perdendo os filhos para a guerra e sua luta passa a ser para não perdê-los e pela própria sobrevivência. A revolução pessoal tem tudo a ver com a revolução social, sintetiza a atriz. Na entrevista coletiva ontem, em Curitiba, Maria Alice Vergueiro estabeleceu uma relação entre essa montagem e a estética. Penso que a ética faz a estética. A relação de trabalho ajuda a construir uma estética, prossegue.
Para esse épico, o que capturou o diretor Sérgio Ferrara foi a idéia de trabalhar com personagens que se jogam num abismo profundo, mas vislumbram a possibilidade de luz. Gosto de personagens que tentam sobreviver, principalmente daqueles que chegam ao limite e mudam a cabeça, resume.
No elenco de Mãe Coragem e Seus Filhos, outra veterana atriz, Beatriz Tragtemberg, se indignou em Curitiba com os 136 grupos de jovens artistas que pagam para fazer teatro, se apresentando no Fringe. Joga-se o jovem para a marginália teatral. O que vai ser da próxima geração?, desabafou.
Serviço: Mãe Coragem e Seus Filhos, de Bertold Brecht, com a Nostradamus Produções Artísticas de São Paulo, direção de Sérgio Ferrara, no Teatro Guairinha (Rua XV de novembro, s/nº Centro). No elenco: Maria Alice Vergueiro, José Rubens Chachá, Luciano Chirolli, Rubens Caribé, Mariana Muniz, Álvaro Franco, Adriana Seifert, Beatriz Tragtemberg, Márcia Martins, Manoel Candeias, Jiddú Pinheiro, Anton Chaves e Sérvulo Augusto. Direção musical de Miguel Briamonte e Abel Rocha. Ingressos a R$ 20,00.


