Madri sonha em receber Olimpíada
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terça-feira, 31 de maio de 2005
Terciane Alves<br> Agência Estado 
Madri - Na primavera, os madrilenos costumam, como dizem por lá, mirar o céu com embevecimento e orgulho. Os mais espirituosos brincam: falam que estão pertinho do céu. Não por acaso. Graças à distância do mar e sua altitude 600 metros , a cidade desfruta de invernos frios, mas de primavera e verão muito quentes, em que o azul do céu parece, sim, bem próximo de nossas mentes e, detalhe, com tons que saem muito intensos nas fotografias.
Atualmente, além de gozar da sensação de estar perto da eternidade, os madrilenos crêem, desde o ano passado, que estão mais perto de um sonho que vêm cultivando há mais de 30 anos: o de ver Madri sagrar-se a sede dos Jogos Olímpicos de 2012. Em 1972, por pouco, a cidade, quase no pódio, viu Munique (Alemanha), ganhar a disputa e a ilusão se desfazer.
Até 6 de julho haverá um clima de expectativa. Nessa data, o conselho mundial dos Jogos Olímpicos irá anunciar, em Cingapura, o local escolhido para receber as provas. A capital da Espanha disputa com Londres, Paris, Moscou e Nova York.
Nas ruas, obras em curso. Há também postos que recebem inscrições de apoio de simpatizantes e voluntários. Os monumentos estão mais iluminados. E, nos jornais, muito debate sobre a candidatura de Madri.
Os defensores da causa criaram um site na internet (www.madrid2012.es). Nele, listam a qualidade das instalações de Madri, a facilidade de acesso e de comunicação, os monumentos e a hospitalidade dos espanhóis. Também dão notícias do processo político para a candidatura e as obras.
Em destaque, está a ampliação do Estádio de Madri, que tem como proposta, além de abrigar as provas de atletismo dos Jogos, receber 75 mil espectadores e acolher espetáculos de música e atividades de lazer.
Também em remodelação está o Palácio de Esportes Felipe II. O projeto prevê, ainda, um Centro Aquático e o Pabellón Olímpico, que formará parte do Anel Olímpico no caso de a cidade ser eleita a organizadora da Olimpíada. E vários outros para as diversas modalidades. Se eleita, Madri terá a possibilidade de melhorar sua imagem e receber ainda mais turistas do que os 6 milhões que a visitam a cada ano.
Enquanto isso, o turista que visita a cidade, que no século 16 seduziu o rei Felipe II aquele que a transformou em capital e local mais importante do império , tem a oportunidade de acompanhar toda a intensidade dessa expectativa e os encantos do roteiro histórico. Na retangular Plaza Mayor, na Madri Antiga, os turistas comem tapas (os famosos petiscos da comida mediterrânea).
Caricaturas de Ronaldos, tanto a de Ronaldinho Gaúcho, meia-atacante do Barcelona, quanto a do atacante do Real Madri, são chamarizes e parecem conviver bem sem as habituais rivalidades. Aliás, basta dizer que é ''brasileÀo'' para que taxistas, vendedores ambulantes e lojistas não raro apressados e com o estilo bem franco de ser do espanhol logo o associem com naturalidade aos jogadores ídolos e puxem conversa. A Plaza Mayor tem cadeiras ao ar livre, pessoas tocando acordeom, pintores ao ar livre e inúmeras lojas para comprar ''regalitos'' é assim que eles chamam os souvenirs. À venda, ''abanicos'' (leques), castanholas, canecas, estatuetas de Dom Quixote...
Tanto os jardins do luxuoso Palácio Real, também na Madri Antiga, quanto a grama do Parque do Retiro, no bairro dos Jerônimos, servem de praia a namorados e crianças. Nesta época do ano, o sol perdura até as 21 horas, o tempo para o lazer se prolonga e sempre dá para tomar uma ''copa de cerveza''.
Nos museus, cenas sutis para os turistas. No do Prado, onde reinam obras de Velásquez e Goya, uma professora ensina, com brincadeiras teatrais, a vida dos pintores a crianças de 4 anos. No Reina Sofia, de arte moderna, há visitantes que ficam 20 minutos na frente de sua obra mais famosa: Guernica, de Picasso.


