São Paulo - A única santa brasileira reconhecida pelo Vaticano é a responsável por um dos mais impressionantes fenômenos da religiosidade recentemente. Amábile Lúcia Visintainer, a Madre Paulina (1865-1942), move multidões até Nova Trento, lugar onde morreu, em Santa Catarina. Praticamente do dia para a noite, a cidadezinha de 10 mil habitantes viu suas ruas invadidas por pessoas ávidas pelos milagres da santa. Hoje, calcula-se que são 80 mil turistas todos os meses e cada um gasta, em média, R$ 30,00 por lá.
A principal atração da cidade, o santuário de Madre Paulina, ainda está em construção serão 10 mil metros quadrados, para 6.500 pessoas, prometidos para o fim do ano. Por enquanto, a romaria tem como destino a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, onde a santa iniciou sua vida religiosa. Os 200 lugares do santuário, porém, não comportam mais tantos turistas.
''Temos praticamente um museu a céu aberto. Muita gente vem para cá para conhecer os monumentos que fazem alusão a algum momento da vida de Madre Paulina'', conta a secretária municipal de Cultura e Turismo, Ivana Cadore.
E a cidade tenta acompanhar o ritmo da devoção. Em 1991, quando Madre Paulina foi beatificada a Santa Sé a canonizou em 2002 , Nova Trento tinha apenas 15 leitos de hotel. De lá para cá, foram acrescentados outros 185 quartos, número ainda longe do necessário para tantos turistas, que saem de toda parte do País e do mundo.
Todos os anos as manifestações se repetem com igual intensidade. Milhares de fiéis deslocam-se em nome da fé. Procuram pagar promessas, elevar o espírito, estar próximo de seu santo de devoção. Ainda que o santo em questão tenha sido excomungado pela Igreja Católica há mais de cem anos. É o caso do Padre Cícero Romão Baptista (1844-1934). A fé em Padim Pade Ciço arrasta cerca de 2 milhões de peregrinos a Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Quatro grandes romarias 1º e 2 fevereiro; 18 a 24 de março; 1º a 5 de setembro e 1º e 2 de novembro movimentam a cidade. E convergem para dois pontos preferenciais: o Memorial a Padre Cícero e o Horto, onde ficam o museu e o monumento em seu louvor.
Está prevista para este ano a inauguração do Centro de Apoio ao Romeiro, dedicado ao acolhimento dos seguidores de Padre Cícero. Em épocas de romaria a cidade vive dias tumultuados: hoje, a rede hoteleira oferece apenas 35 estabelecimentos entre hotéis e pousadas, com 2.254 leitos. Há, de resto, uma rede de alojamentos com mais 9.570 leitos.
Também o município de Canindé transformou-se em pólo de romaria no Ceará. Seu principal festejo, em louvor a São Francisco das Chagas (4 de outubro), atrai mais de 600 mil pessoas. É curioso observar que grupos de sertanejos se organizam para a romaria e acabam esticando o roteiro até Juazeiro ou Fortaleza, onde muitos realizam o ''sonho'' de tomar um banho de mar.
Na Bahia, a capital da fé é Bom Jesus da Lapa, em pleno sertão. O santuário da cidade fica numa gruta às margens do Rio São Francisco. Ali ocorre a liturgia em honra a Nosso Senhor do Bom Jesus, cujo auge é 6 de agosto. Para abrigar um fluxo de romeiros calculado em 1 milhão de pessoas, a cidade conta com 15 mil leitos. Estima-se que a receita originada com as romarias alcance R$ 15 milhões por ano.

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