Madonna quarentou
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sábado, 15 de agosto de 1998
Guto Barra Planet Pop/AE 
Madonna faz 40 anos hoje disposta a mostrar que, polêmicas à parte, ainda tem seu lugar no pop. A cantora chega à idade proibida ainda no posto de um dos maiores ícones vivos do mercado internacional e prova que é possível combinar o estrelato com uma vida feliz e uma fase criativa. Depois de lançar seu mais bem-sucedido disco dos últimos anos, ela se prepara para estrelar dois filmes, lançar um novo livro e fazer uma nova turnê - a primeira desde The Girlie Show, de 1993.
Ao contrário de seus dois contemporâneos mais ilustres, Michael Jackson e Prince, que agora atende por o Artista, Madonna conseguiu um equilíbrio entre a simpatia do público e sucesso financeiro mesmo em uma época em que artistas de médio porte roubaram o público dos megastars de ontem. Enquanto Jackson (que faz 40 anos dia 29) e o Artista (que já apagou as 40 velhinhas dia 7 de junho) viraram motivo de piada na imprensa e perderam praticamente todo seu valor musical com seus últimos lançamentos, ela continuou com seu espaço garantido na mídia, conquistou respeito no cinema (ganhando o Globo de Ouro por sua atuação em Evita) e surpreendeu os críticos de música norte-americanos com a sonoridade de Ray of Light.
Mais do que apenas se reinventar mais uma vez, a cantora conseguiu convencer com suas mudanças recentes. Como já é sabido, a Madonna do fim dos anos 90 trocou a malhação pela ioga, estuda a cabala e passa noites em claro para cuidar da filha, Lourdes Maria, que completa 2 anos em outubro. O mais importante, no entanto, é que ela conseguiu adaptar a condição de celebridade para o fim do milênio. No lugar de se isolar em uma mansão do tipo do rancho Neverland, de Jackson, ou se enclausurar no complexo Parsley Park, como o Artista, Madonna superou seus problemas com os paparazzi e com a imprensa fofoqueira e hoje é uma mulher que anda sozinha pelas ruas de Nova York, frequenta restaurantes, clubes e teatros e se diverte como uma pessoa (quase) normal.
Empresária de visão, ela sabia que a imagem de megastar exigente que supervaloriza seu trabalho não condiz com os dias atuais. Um dos episódios marcantes da nova fase foi uma apresentação no clube Roxy, em Manhattan, para um público de cerca de 2,5 mil pessoas, uma noite que ela lembra como a mais divertida dos últimos anos. O redescobrimento de pequenos prazeres se refletiu no trabalho dela (resultando em uma sonoridade mais cool e projetos menos megolomaníacos) e vem sendo bem visto pelo público.
Foi justamente a reflexão sobre os efeitos da fama que causaram as transformações mais recentes de Madonna. Em uma entrevista exclusiva publicada pelo jornal New York Post, ela disse que à medida em que foi se tornando uma celebridade foi caindo em um buraco negro. A fama me levou para um lugar do qual eu nunca achei que fosse conseguir sair, um profundo desespero, diz.
O tema é a inspiração para o novo videoclipe da cantora, Drowning/Substitute for Love, que mostra Madonna sendo perseguida por paparazzi, em uma referência ao acidente que matou a princesa Diana. Rodado em Londres e dirigido por Walter Stern (que fez os vídeos de Firestarter e Breathe, ambos do Prodigy), o clipe tem até uma cena que lembra as imagens de Diana saindo do hotel Ritz poucos minutos antes de morrer.
A cantora admite a referência: Fui perseguida por aquele túnel muitas vezes, conta. Acho que todos que já tiveram que levar esse tipo de vida e foram perseguidos daquele jeito acabaram batendo contra aquela parede junto com ela. Ainda sobre Diana, ela disse ao Post: Acho que nossas vidas foram afetadas pela fama de uma maneira parecida, mas eu tive a sorte de ter a música para me ajudar a superar muitas das infelicidades da minha vida.
Apesar de discutir o assunto, Madonna não parece se sentir acuada como na época em que lançou o polêmico livro Sex e o disco Bedtime Stories, quando chegou a escrever a música Human Nature, criticando a imprensa. Em diversas entrevistas recententes ela disse que o nascimento de sua filha transformou sua vida e que agora está realmente interessada em outras coisas.
O cinema, com certeza, é um dos principais objetivos dela. Depois de desistir de participar de 50 Violins, do diretor Wes Craven, ela está comprometida para aparecer ao lado de Rupert Everett (o ator de O Casamento do Meu Melhor Amigo e um dos melhores amigos de Madonna atualmente) em The Next Best Thing. A comédia é sobre uma mãe solteira de 30 e poucos anos que convence seu melhor amigo a assumir o papel de pai. O problema é que, cinco anos depois, ela acaba se apaixonando por um outro homem. A cantora também deve aparecer na aguardada versão cinematográfica do musical Chicago. Ela está escalada para o papel de Velma Kelly, ao lado de Goldie Hawn, que vai estar vivendo Roxie Hart.
Há ainda os projetos para a televisão. Com a gravadora Maverick criando dois novos braços, a Mad Guy Films e a Mad Guy Television, Madonna deve se envolver com uma série de novas produções. Um dos primeiros passos vai ser o uso da música The Power of Goodbye como o tema do seriado Felicity, que estréia em setembro no canal WB. O programa vai ser estrelado por Keri Russell, que vai fazer o papel de uma adolescente que corre atrás do namorado que vai fazer faculdade em Nova York. O clipe da música também já está sendo dirigido pelo fotógrafo Matthew Rolston, colaborador de longa data de Madonna.
Ainda pela frente estão o lançamento do livro The Emperors New Clothes, em outubro, e a aguardada nova turnê mundial. A série de shows, marcada para o primeiro semestre de 1999, não deve se igualar em tamanho às turnês anteriores de Madonna, mas ainda não há definições de datas e lugares para as apresentações. Enquanto muita gente ficou obcecada com a idéia de que estou sempre tentando mudar para me reinventar, acho que estou cada vez mais próxima de mostrar quem eu realmente sou, garante a cantora.


