A atriz e cantora francesa Sandrine Kiberlain está encantando o público brasileiro com o filme ''Mademoiselle Chambon''. As pessoas saem em êxtase da sala, falando maravilhas da história de amor entre Sandrine e o personagem interpretado por Vincent Lindon.
''Mademoiselle Chambon'', de Stéphane Brizé, é um pequeno grande filme sobre sentimentos. ''Mademoiselle Chambon'' é a professora do filho de Vincent Lindon. Ele trabalha na construção civil. Apesar das diferenças culturais - ela toca violino, ele se encanta ao vê-la manusear o instrumento -, sentem-se atraídos, mas é um romance condenado, complicado.
Sandrine conta que não vacilou ao receber o roteiro, acrescido de uma pequena nota do diretor - ''Pour toi'' (Para você). ''Conhecia os outros filmes de Stéphane, ''Não Estou Aqui para Ser Amado'' e ''Entre Adultos''. Eram bem escritos e realizados, mas acima de tudo me passavam uma sensação de urgência, a vontade dar um testemunho sobre as relações do casal contemporâneo. Tenho a impressão de que ele aprofunda isso em Mademoiselle Chambon''.
Pequenos ações, gestos, silêncios mais do que palavras, vão aproximando a professora e o operário e, quando se dão conta, já estão envolvidos. ''O valor que Stéphane atribui ao silêncio foi o que mais me encantou, desde o começo. É fácil ser explicativo falando, mas mostrar a aproximação de duas pessoas que quase não se falam exige muita delicadeza e gestos muito precisos. Tudo estava meticulosamente escrito no roteiro, até os silêncios. Vincent (Lindon) e eu só tivemos de seguir as indicações.'' Ambos os personagens trabalham muito com as mãos. Ele é operário, ela toca violino. ''Foi a parte mais difícil para mim. Tive de treinar bastante para tocar violino. Não queria simplesmente simular. Achava que não estaria servindo à personagem.''
O belo dessa história é que ela carrega uma tristeza. Os personagens certamente sofrem por estar separados, mas eles também sofrem quando estão juntos, porque Lindon está comprometido, inclusive afetivamente, com a mãe de seu filho. A situação lembra um pouco ''As Duas Faces da Felicidade'' (Le Bonheur), que Agnès Varda fez nos anos 1960. ''Mais justement. É isso que faz a universalidade dessa história. Aonde vou, as pessoas me falam com carinho de Mademoiselle Chambon.'' Sandrine acha ótimo que exista público no Brasil para um filme tão delicado. ''Não sou contra blockbusters, mas acredito que esses filmes são fundamentais. O cinema não é só diversão. No limite, são esses filmes humanos, intensos, que ficam com a gente.''

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