Madeleine Peyroux boa como sempre
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Lauro Lisboa Garcia <br> Agência Estado 
São Paulo - Em 2009, Madeleine Peyroux decidiu arriscar a mostrar seus dotes de compositora num álbum inteiramente autoral, depois de ter se firmado como intérprete cativante. Sequência significativa de ''Bare Bones'', ''Standing on the Rooftop'' a expõe em arrojado amadurecimento como autora, em busca da simplicidade, mas também pelos novos caminhos de interpretação e pela sonoridade mais crua.
Entre o folk, o blues e o jazz, Madeleine também reinventa três clássicos alheios de modo brilhante: ''Martha, My Dear'' (John Lennon/ Paul McCartney), com uma bela combinação de guitarra e banjo em arranjo delicado, ''I Threw It All Away'' (Bob Dylan), com guitarra rascante ao estilo de Neil Young, e o blues marcial ''Love in Vain'' (Robert Johnson), a mais pungente de todas, com violino e efeito espacial. A voz soa cada vez menos como imitação de Billie Holiday e ela diz que, nessa opção por divergir de quase tudo o que já fez nos álbuns anteriores, está interessada em ''explorar sons mais duros, até mesmo mais feios''. Mas é difícil algo ficar realmente feio em sua concepção.
''Don't Pick a Fight With a Poet'' e ''Ophelia'' são dois temas em que ela mais contradiz essa aspereza. Outra boa surpresa do álbum é sua associação a Bill Wyman, ex-baixista dos Rolling Stones. Das várias canções que compuseram juntos em Londres, ela registrou duas: ''The Kind You Can't Afford'' e ''Leaving Home Again''. O CD brasileiro tem três faixas a mais que a versão americana. É Madeleine em seu melhor momento desde o álbum de estreia.


