A peroba rosa fez milagres na colonização de Londrina. É o que mostra o fotógrafo Carllos Bozelli no livro ‘‘Arquitetura de Madeira’’, que ele lança hoje reunindo fotos de antigas casas de madeira da zona rural da cidade. O lançamento acontece, às 20 horas, na Biblioteca Pública.
A publicação do livro é um desdobramento de um projeto realizado há dois anos como parte de uma exposição voltada aos trabalhos de conclusão de curso de alunos de Agronomia da UEL. ‘‘A proposta era documentar as edificações das primeiras décadas de colonização de Londrina mostrando a importância de sua preservação’’ – conta o autor.
Na ocasião, os registros fotográficos ganharam uma dimensão autônoma e inesperada chamando a atenção não só de alunos e professores da Universidade como também de profissionais de diversas áreas. A boa acolhida transformou-a em uma mostra itinerante que percorreu diversos espaços, entre eles a sala de exposições da Secretaria de Cultura, o Unopar, o Museu de Arte, o Banco Sudameris e escolas da rede pública de ensino.
Não demorou muito para que a Professora Maria de Fátima Guimarães, autora original do projeto, encaminhasse a proposta de publicar as fotos em livro como uma maneira de perpetuar o que fora captado pelas lentes de Bozelli. Maria de Fátima é docente-doutora em Agronomia. Mas vem de uma família de arquitetos, o que explica seu interesse pela disciplina.
O projeto do livro foi aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Agora, o volume chega ao público reunindo 90 fotos, divididas em quatro seções: residências, outras edificações, detalhes e textos. O último bloco traz artigos de autoria dos professores Antônio Carlos Zani (‘‘A predominância da arquitetura do Norte do Paraná nas décadas de 30 a 50’’), Efraim Rodrigues (‘‘As madeiras e a transformação no Norte do Paranᒒ), Ana Maria de Arruda Ribeiro (‘‘O Clima da Região Norte do Paranᒒ) e Omar Neto Fernandes Barros (‘‘Um Olhar sobre os solos de Londrina e Região’’).
A diretora do Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria de Cultura, Vanda de Moraes, assina o texto de apresentação e as legendas que acompanham as fotos. ‘‘Ela participou de todo o processo de fotografar as casas’’ – conta Bozelli. ‘‘Fomos juntos fazer o levantamento dos locais. Enquanto eu fotografava, ela entrevistava os moradores. Saíamos de manhã e voltávamos à noite’’. Durante a peregrinação, que durou 90 dias, eles extraíram imagens e dados no Distrito de Warta e nos Patrimônios de Heimtal, Selva e Limoeiro.
No texto, Vanda salienta a importância documental das fotos lembrando que ‘‘as edificações de madeira na zona rural vem pouco a pouco desaparecendo, quer seja pelo esvaziamento das antigas casas de colonos que hoje já não possuem moradores, quer seja pela transformação das antigas tulhas de café em depósitos de ferramentas e defensivos agrícolas, ou ainda pela opção em se construir em alvenaria, caso das singelas igrejas de madeira, outrora abundantes nos patrimônios e hoje reduzidas a poucos exemplares’’.
A progressiva extinção das casas, aliás, foi constatada recentemente pelo fotógrafo. Proprietário de um sítio no Patrimônio Limoeiro, ele percebeu que algumas edificações da região registradas por sua câmera há dois anos já sofreram mudanças. ‘‘Em uma das casas, todas as telhas foram retiradas. Em outra, onde funcionava uma escolinha, construíram uma varanda na lateral’’ – conta.
Bozelli iniciou seus trabalhos de resgate, preservação e memória cultural de Londrina com uma exposição de fotos montada em 1999 na Secretaria Municipal de Cultura, na qual mostrava patrimônios naturais da cidade como a Mata do Godoy, o bosque e as perobas do campus da UEL. No ano passado, lançou o livro ‘‘Vida Kaingang’’ reunindo fotos de índios da reserva do Salto do Apucaraninha. Recentemente, foi requisitado para mais dois projetos ligados à arquitetura.
Um a convite da professora Juliana Suzuki, no qual fotografará as obras projetadas em Londrina pelo arquiteto Vilanova Artigas. O outro, a convite do arquiteto Antonio Castenou, no qual clicará as edificações mais significativas da cidade. ‘‘Entrei na área de arquitetura por acidente de percurso’’ – diz ele. ‘‘Acho que não havia um profissional atuando nesse segmento. Estou aprendendo muito com as formas, os contornos e as linhas. É um exercício gratificante’’.
Seu próximo passo é dar continuidade ao conceito do livro que está lançando hoje à noite. A idéia é fotografar as casas de madeira da zona urbana. ‘‘Tenho andado pela cidade e observado muitas edificações interessantes’’ – revela. A edição de ‘‘Arquitetura de Madeira’’ foi coordenada por Christine Vianna, da Atrito Art Editorial. O patrocínio envolveu a Prefeitura Municipal, a Secretaria Municipal de Cultura e a Spray Drop. A publicação contou ainda com o apoio da Sercomtel e da Midiograf.
Após o lançamento, o volume será distribuído para bibliotecas, museus e centros de documentação da cidade, além de bibliotecas vinculadas a cursos de arquitetura de todo o país, como forma de divulgação do patrimônio histórico local. Hoje, durante o lançamento, estará à venda a R$ 30,00. Depois, poderá ser encontrado nas livrarias a R$ 40,00.

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