As paisagens exibidas na animação ''Madagascar'', que estreou no Brasil no último final de semana, podem fazer com que turistas se empolguem em visitar a ilha da África oriental que fica no Oceano Índico. Muito sol, praia, vegetação densa e animais pouco comuns para os brasileiros caso dos lêmures fazem parte dos cenários da quarta maior ilha do mundo.
Madagascar garante seu lugar nesse ranking das dimensões, atrás apenas da Groenlândia, Papua-Nova Guiné e Bornéu, por causa de seus 587 mil km2 área equivalente ao dobro do Estado do Arizona, nos Estados Unidos.
Parte dessa imensidão foi registrada no filme e teve as imagens aprovadas, inclusive, pelo presidente de Madagascar. O líder Marc Ravalomanana visitou os estúdios da DreamWorks durante a produção do longa, para saber como os produtores haviam concebido o visual de seu país.
Os lêmures são animais típicos da ilha de Madagascar. A ilha separada do continente africano há cerca de 160 milhões de anos é cortada por montanhas que a dividem de maneira geográfica, climática e cultural. A costa leste, por exemplo, é formada por mata densa e grandes aglomerados de árvores, enquanto a costa oeste tem vegetação rasteira.
Os contrastes também estão presentes quando se considera a latitude: além do sol intenso retratado no filme ''Madagascar'', no topo das montanhas faz frio durante o inverno.
Um animal frequentemente associado ao local é o lêmure. Há também cerca de 340 espécies de répteis e 222 anfíbios na ilha deste último grupo, apenas uma espécie pode ser encontrada em outros lugares do mundo. Cerca de 50% das 209 espécies de passáros de Madagascar também são endêmicas (restritas à região).
Quando a ilha se separou do continente, apesar da lentidão destes movimentos geológicos, muitas espécies de animais ficaram como que encurraladas na ilha-continente. A ficção criou algumas lendas sobre estes animais. Conta-se que o maior animal arrastado pela ilha teria sido um pássaro gigantesco, descrito nas aventuras de Sinbad, o marinheiro.
A ave, apesar de não tão gigantesca como nas histórias, existiu até há cinco séculos, e seu nome científico é ''Aepyornus maximus''. Falsos ovos desta ave ainda são vendidos em pontos turísticos da ilha.
Madagascar é ainda refúgio de mais de 10 mil plantas, a maior parte das quais não crescem em nenhum outro lugar do mundo, o que torna a ilha um ''paraíso vegetal'' único.
Uma das atrações mais visitadas da ilha é o parque nacional Montagne d'Ambre, na região de Antsiranana. No local é possível observar diversas espécies de flora e fauna desconhecidas dos turistas.
A capital, Antananarivo, fica em uma dessas regiões altas, no centro da ilha. Antananarivo (ou ''Anta''), é superpopulosa, assim como outras capitais africanas. Em algumas regiões da cidade, os pedestres disputam espaço com vendedores de rua que abordam os transeuntes com seus produtos típicos.
O mercado é um dos maiores do mundo a céu aberto. É como se os núcleos urbanos se concretizassem em volta do mercado, em meio a ondas de gente que se concentram nas ruas, escadarias, praças. O mercado vende de tudo. Madagascar produz todos os tipos de frutas, menos cerejas. Há barracas de ervas medicinais, artesanato. A Sociedade Quartz vende pedras preciosas e semipreciosas.
A população de 11 milhões de habitantes é formada por 18 tribos misturadas a indonésios, árabes, indianos, africanos, europeus, chineses. O isolamento da ilha permitiu que tradições culturais fossem mantidas até os dias de hoje.
Se quiser fugir do agito, o turista pode visitar as ruínas de Rova, que já foi a moradia de reis. A construção fica no topo da montanha mais alta, de onde é possível observar uma extensão de diversos quilômetros em todas as direções.
No local é possível ouvir o malgaxe e francês as línguas oficiais faladas pelos cerca de 18 milhões de habitantes de Madagascar. Há também pessoas que falam dialetos e inglês. O francês tem presença garantida porque, até 1960, a ilha foi colônia do país europeu. Neste mesmo ano o país conquistou sua independência e, em 1992, tornou-se república.
Os encantos de Madagáscar foram especialmente descritos pelos portugueses Massimo Morello e Mário Silva Matos. ''Quem aqui se instala não chega, porém, em busca de fortuna, como faziam os piratas de outrora. Quem para aqui vem procura algo que parece irremediavelmente perdido em outras paragens: uma relação directa com a natureza e com as pessoas, a possibilidade de viver seguindo ritmos e regras diferentes. Aqui, a regra chama-se ''mora-mora'', palavra que se pronuncia com um som que é toda uma história ''muramur'' que quer dizer docemente. ''Muramurmuramur'': repetir, sentir este som, evoca a imagem daquelas figuras femininas que avançam graciosamente nos seus ''lamba'', ao longo de uma praia, ao pôr-do-sol e que, docemente, se viram para olhar e sorrir a quem as observa. (Com Folhapress)

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