No dia 24 de julho completa 88 anos da redescoberta de Machu Pichu, no Peru, pelo historiador americano Hiran Bingham. A ‘‘cidade perdida’’ construída pelos incas no século 15 atrai a cada ano 300 mil turistas. Isso tem causado, segundo advertência feita pelas Nações Unidas, um sério risco para o patrimônio histórico da cidade, construída misteriosamente com enormes blocos de pedras pelos índios peruanos. Mesmo sem conhecer a roda e sem o uso de ferramentas de ferro ou tração animal, eles conseguiram deslocar, talhar e encaixar blocos com mais de 30 toneladas.
A Unesco, que tem a preocupação internacional de proteção de lugares históricos, fez um alerta sobre a necessidade de limitar o número de visitantes e também pediu um estudo para avaliar o efeito já provocado pelo turismo. Queimadas, erosão, diminuição da flora e da fauna são algumas das consequências provocadas pelo desordamento da exploração de Machu Pichu e áreas próximas. Se aquele santuário histórico conseguiu se manter intacto diante da invasão espanhola no século 15, o mesmo pode não ocorrer agora.
Conforme a Unesco, a maior violência contra o patrimônio inca irá ocorrer se for permitida a construção de uma rodovia de 112 quilômetros ligando Cuzco a Machu Pichu. As dificuldades de acesso tem sido uma espécie de proteção depois dessas quase nove décadas de redescoberta. Com a rodovia, os ecologistas do grupo Green Signal denunciam que em dez anos a região sofrerá uma invasão sem precedentes. Um novo e rápido acesso provocaria o crescimento maciço do turismo na área.
O impacto ambiental começaria com a derrubada da mata para abrir a estrada, sem contar os postos de gasolina, restaurantes, lanchonetes, hotéis e outros negócios comerciais que seriam atraídos para aquela região, além é claro, da própria especulação imobiliária. Mas não é só a estrada que preocupa os ecologistas peruanos e a Unesco. Deve começar ainda antes de julho a construção de um cabo elétrico para transportar os turistas a uma altitude de 830 metros dentro do santuário inca.
Atualmente, para percorrer a sinuosa e estreita estrada de 112 quilômetros de Cuzco a Machu Pichu gasta-se perto de quatro horas. Mesmo sendo expressamente proibido levar sacolas, malas, mochilas ou comida para a área das ruínas, muitos visitantes preferem acampar nas imediações ao invés de retornar para Cuzco no final da tarde. Os ambientalistas afirmam que é impossível controlar no período de alta estação o comportamento desses turistas.
Outro problema denunciado vem sendo provocado por aqueles que preferem percorrer a pé a trilha de 104 quilômetros batizada de Pista Inca que leva a Cuzco. São, em média, três dias de caminhada. O Green Signal afirma que o trecho está sendo devastado, principalmente nos locais em que os visitantes se acampam. ‘‘Das 150 empresas que exploram as trilhas somente 13 concordaram em assinar um documento sobre normas de proteção ambiental’’, denuncia o britânico Barry Walker, ornitologista que mora perto de Cuzco.Arquivo FolhaPatrimônioAs ruínas de Machu Picchu, a cidade perdida dos incas: blocos com mais de 30 toneladasEdnelson Alves

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