Maceió combina boemia e cultura
Alagoas não é só mar e rio. Para quem quer se divertir à noite, o destino certo é a sua capital, Maceió. Bairro da antiga boemia, o Jaraguá ferve depois que o sol se põe. Em velhos casarões recentemente restaurados, com fachadas coloridas, como o da Associação Comercial, de dia prevalece o comércio e mais tarde estão presentes a cerveja, o papo e a música.
Foi numa dessas construções que, há três anos, o ex-tenente da Força Aérea, Tanagy Andrade, de 60 anos, abriu seu bar: o Casa da Sogra. O nome é mesmo em homenagem à mãe de sua mulher que, segundo ele, caiu do céu quando a vassoura quebrou. O lugar, assim como o dono, é bem irreverente. Nele há relógios que giram de trás para frente e outros com os números trocados próprios para confundir aquele que bebeu além da conta.
Em uma parte do bar, no quintal da casa da sogra, um varal com calcinhas de vários tamanhos chama a atenção do visitante. Aqui mostra o que a velha emagreceu depois de sair do spa, brinca. Além das piadinhas de Tanagy, é legal conhecer ainda, a coleção de miniaturas de garrafas de bebidas alcoólicas que ele expõe nas prateleiras. São mais de 190. E as histórias sobre o que foi o lugar no passado. Era um prostíbulo. Fechou em 1969. Os quartos eram no andar de cima.
Outro bar que vale a pena conhecer é o Virgulino, do ex-produtor de cinema José Maranhão de Oliveira Torres, o Zequinha. Para decorar o lugar, onde são realizados shows de bandas de forró pé-de-serra, o estilo mais tradicional, Zequinha usou elementos do folclore alagoano e se inspirou nas histórias que ouviu da família durante sua infância.
A história de Virgulino Lampião é lembrada pelos garçons que servem os clientes vestidos com as roupas típicas dos volantes, os policiais que perseguiam o cangaceiro. Além do forró, a casa oferece apresentações de danças folclóricas, como os temas de folguedos em que dançarinos interpretam momentos da História do Brasil , e o tradicional bumba-meu-boi.
Rogers Ayres, de 45 anos, criador do grupo Transart Balé Folclórico de Alagoas, que se apresenta no Virgulino, contou que as cores predominantes no folclore são as mesmas da bandeira alagoana: azul e vermelho. O vermelho simboliza o Sagrado Coração de Jesus, e o azul, o manto de Nossa Senhora. Nos folguedos as cores juntas simbolizam a luta medieval entre os mouros e os cristãos.
Existem em Alagoas 30 grupos de folguedos cadastrados na Secretaria de Cultura do Estado, segundo Rogers, mas apenas 15 são atuantes. Entre eles, o de Benom Pinto, o Mestre Benom, de 76 anos, e o de Hilda Maria da Silva, de 79 anos.
A cultura alagoana é tão rica que não pára por aí. A prova disso pode ser vista em Maceió mesmo, no Pontal da Barra. Lá, dezenas de artesãs produzem as tradicionais rendas filés, um trabalho delicado e multicolorido. É possível apreciar essa arte e comprar os trabalhos das rendeiras, que costumam passar os segredos da produção para as filhas.
Maria Lúcia do Nascimento, de 47 anos, já vendeu suas peças no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Agora ensina a filha a fazer renda. O artesanato é a riqueza de minha vida, diz, orgulhosa, a artesã. Ela confecciona bolsas, saias, blusas e toalhas de mesa. Tudo feito para ser vendido aos turistas que, definitivamente, não tomarão apenas banho de mar no Estado e sim de muita cultura.





