'Macbeth' em outras paragens
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
William Shakespeare não existiu. Não fez Hamlet e muito menos Macbeth - a mais humana das tragédias. Shakespeare existe em seus personagens, que na montagem do grupo carioca Amok Teatro, atração do 38º Festival Internacional de Londrina (FILO) hoje e amanhã, às 21 horas, na Usina Cultural (Avenida Duque de Caxias, 4159), dão o ar da graça, como que pela primeira vez.
Pelo menos essa é a pretensão do grupo para diminuir o peso de montar um dos textos mais importantes da dramaturgia mundial.
Modestamente, o ator Stephane Brodt afirma: ''Vamos ver o que temos a oferecer, conseguindo fazer um trabalho importante e sem dizer que é melhor ou maior que outras montagens. Porém, grandes autores não perdem a vitalidade'', ressalta Brodt, que com a esposa Ana Teixeira, é responsável pela adaptação e concepção do espetáculo.
Ana também dirige a peça intepretada por sete atores. Para caber em 2h30 de duração e na limitação numérica do elenco foi preciso cortar a cabeça de alguns dos 30 personagens do original. ''Não modificamos a estrutura da peça, mas concentramos até três personagens num só'', afirma Brodt.
Shakespeare transita pelo público, através dos personagens, que narram a história do nobre general escocês Macbeth. Após vencer os rebeldes, encontra uma bruxa que profetiza que ele conquistará a coroa.
Influenciado por sua esposa, a ambiciosa Lady Macbeth, o general assassina o rei, se tornando prisioneiro da trama.
Macbeth de Amok tem como campo da batalha humana, o tempo real da narrativa.
''Não tem compromisso com a realidade histórica. Inicialmente, começamos a trabalhar com uma Escócia no deserto. Depois a transportamos para o Oriente, com a utilização de máscaras balinesas, figurinos inspirados na Rússia ortodoxa e maquiagem influenciada pela tribo africana Nouba de Kau'', explica Brodt.
O ator francês, que já integrou o elenco do Cirque du Soleil, lembra que além dos atores, a peça conta com a participação do músico Carlos Bernardo.
''Ele interferiu de forma wagneriana no trabalho, às vezes traduz o ritmo interno dos personagens ou criou a ambientação de cena'', acrescenta Brodt, que há 10 anos mora no Brasil.
Parte da trilogia sobre o especto noturno do homem, que inclui ainda ''Cartas de Rodez'', apresentado no FILO 2004, e ''O Carrasco'', Macbeth é mais que oportuno, o que não é novidade na obra de Shakespeare, que não tem dó de ver o homem se debater no palco, assim como a história contemporânea.
FICHA TÉCNICA
Texto: William Shakespeare
Adaptação e concepção: Stephane Brodt e Ana Teixeira
Direção: Ana Teixeira
Música (criação e interpretação): Carlos Bernardo
Elenco: Stephane Brodt, Ludmila Wirchansky, Pedro Rocha, Cassiano Gomes, Marcus Pina, Gustavo Damasceno, Ricardo Damasceno, Thierry Tremouroux, André Schmidt.
Iluminação: Renato Machado
Cenário: Ana Teixeira
Figurino e maquiagem: Stephane Brodt


