Macau prepara três festas no fim do ano
Gabriela Morales
Agência Estado
Um lugar que ainda usa a pataca como moeda oficial parece coisa de gibi, mas não é. Em Macau, antiga colônia portuguesa situada na China, tradições chinesas e lusitanas convivem em aparente harmonia. Com a devolução da colônia ao governo chinês, prevista para o próximo dia 19, as autoridades locais estão preparando três festas a da mudança de administração, do Natal e do réveillon. O governo investiu US$ 30 milhões no setor turístico e programou uma série de shows e espetáculos de fogos de artifício.
Macau, com 450 mil habitantes, está se transformando em um dos principais destinos turísticos do mundo, tendo registrado um acréscimo de 77% nos últimos três anos. A maioria dos turistas é do Japão, vindo a China em segundo e os europeus em terceiro. Os latino-americanos, inclusive os brasileiros, também têm demonstrado maior interesse pela região, ainda que em menor escala.
Grande parte do turismo de Macau existe graças a seus cassinos, que respondem por cerca de um terço da receita do território. Atualmente, são nove os cassinos repletos de misteriosas velhinhas chinesas que apostam fortunas todas as noites nas mesas de jogo. O melhor cassino da cidade é o do Hotel Lisboa, aberto 24 horas. O mais novo é o do Holliday Inn. O Cassino Flutuante, também aberto 24 horas, vale mais a pena pela decoração original do que pela atmosfera, apesar do nome tentador.
Para um brasileiro que vem da China ou de outros países asiáticos, a chegada a Macau é acompanhada de uma certa sensação de alívio. Enfim, um lugar onde a comunicação não deve causar nenhum problema. Puro engano. Em Macau, somente 3% da população é portuguesa e é mais fácil encontrar quem fale inglês. Mas nem a possível decepção estraga o prazer de visitar essa colônia portuguesa (até o dia 19 de dezembro), reduto de duas culturas opostas e em aparente harmonia.
Cravada no Sudeste da China Popular, a pequena Macau cobre uma área de 15,5 km2, incluindo duas pequenas ilhas, Taipa e Coloane. Originalmente, a região era chamada de A-Ma-Gao, que significa A Baía de A-Ma. O templo, construído em homenagem à deusa A-Ma, data do século 16.
Segundo a lenda, A-Ma foi uma pobre menina atirada ao mar quando tentava encontrar uma maneira de ir a Cantão. Minutos depois de resgatada, uma grande tempestade destruiu todos os barcos, menos o que a transportava. Uma vez em Macau, a menina sumiu, reaparecendo somente muito tempo depois, na forma de uma deusa. No local da aparição, os pescadores construíram o templo de A-Ma, que pode ser visitado até hoje.





