São Paulo - O guia assobia para chamar a atenção dos macacos, mas eles nem se mexem. Enquanto isso, a canoa prossegue em marcha lenta pelos igarapés da Ilha das Canárias, no Delta do Parnaíba. Jeílsom da Rocha, 27 anos, está no comando da embarcação.
  Sem interromper as remadas, ele aponta os animais para os turistas, dá as instruções do passeio e aperfeiçoa a veia humorística: ‘‘Tomem cuidado com os obstáculos e fiquem tranqüilos. Se vocês caírem na água, as piranhas não vão atacar’’, brinca.
  As confortáveis lanchas em que o grupo embarcou no Porto dos Tatus, em Ilha Grande de Santa Isabel, ficaram para trás. Não conseguiriam nunca seguir em meio à mata fechada. Sobraram as canoas, que agora desviam com agilidade das raízes do mangue.
  Os galhos surgem por cima e pelos lados e, uma hora ou outra, é preciso esquivar o corpo para não ser atingido. Cuidado redobrado com o jiquiri de espinhos afiados. Você também verá árvores de açaí e dendê, que muita gente só conhece das lojas de produtos naturais ou das moquecas baianas.

São Tomé

  Todos estão ansiosos para ver os macacos no safári pelo Delta, mas eles ainda não deram o ar da graça. Morcegos, capivaras e jacarés também parecem tímidos. Jeílsom diz que eles existem, mas os visitantes preferem adotar a lógica de São Tomé: ver para crer.
  Mas uma cascavel descansa em um tronco de árvore, não muito longe. Sem o olhar apurado do guia, no entanto, ninguém teria notado a existência da cobra, totalmente camuflada nos galhos.
  ‘‘E onde está o macaco, hein, Jeílsom?’’, perguntam os turistas. Com a provocação, o guia pula na água e escala as raízes como se estivesse em um parque infantil. Parece até um habilidoso caranguejo do mangue. Dois minutos depois, volta a assobiar baixinho, tentando atrair os bichos para perto das canoas.
  Mais cinco minutos. Silêncio... Pronto! Finalmente, os voluntariosos astros do passeio resolvem dar o ar da graça. Lá estão os macacos bugio, pulando com agilidade de galho em galho. A pelagem cor de cobre, é verdade, se confunde com o cenário e não facilita muito a vida de quem quer observar os animais.
  Force a vista e acompanhe os movimentos. Você vai conseguir vê-los. Um, dois, três, o casal, a fêmea com o filhote, todo o bando. Hora dos cliques. Mas só quem souber manejar bem a câmera e tiver um zoom possante conseguirá imagens decentes – não é possível chegar tão perto e o movimento frenético dos macacos pode transformar sua bela fotografia em um borrão.
  Chega a hora de voltar. Perto da emoção de passar em trechos bem fechados, na ida, o retorno parece sem graça. Impressão acentuada por seu estado de espírito: o esperado safári no Delta terminou. (L.F./Agência Estado)

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