No final dos anos 80 a então diretora do Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba, Maria Cecília de Noronha, mandou abrir o assoalho de sua sala e foi cupim por toda parte. O caos instaurado resultou numa reforma do prédio construído em 1927. Uma década após suas instalações passarão por outra reforma, sem que haja necessidade do diretor, João Henrique do Amaral, fazer o mesmo.
‘‘O MAC será readequado para o século 21, com patrocínio da Petrobrás, através da Fundação Instituto Tecnológico Industrial’’, conta Amaral. O projeto Readequação do MAC prevê a colocação de sistema de climatização; estudo específico de iluminação, desenvolvido por um técnico vindo especialmente de São Paulo; ampliação interna, com aumento de metro linear da área de exposição. O investimento é de cerca de R$ 700 mil.
Para que as reformas tenham início o museu será transferido temporariamente para a Sala de Exposições do Teatro Guaíra. O comunicado foi dado pela diretora-presidente da instituição, Mônica Rischbieter. ‘‘Ficaremos lá por um prazo curto, coisa de uns 70 dias’’, avalia Amaral. Ele abre oficialmente dia 19 de dezembro, com a inauguração do 55º Salão Paranaense.
Localizado num ponto central (esquina da rua Desembargador Westphalen com a Emiliano Perneta), o museu pode se transformar num point cultural, aposta o diretor. Para isso serão criados uma lojinha e um café. ‘‘Você estando no café já estará, de certo modo, integrado ao todo da casa.’’ Isso possibilitará uma circulação ainda maior, com aproveitamento dos expositores e do público. Esse será o ‘glamour’ do Mac’’, anuncia.
O acervo do Mac passará a ter um tratamento diferenciado, segundo João Henrique do Amaral. O apoio técnico será reciclado e haverá incentivo na formação de profissionais para o setor. ‘‘Estamos nos modernizando’’, afirma Amaral, que prevê um aumento de 70% da reserva técnica. Com isso estará praticamente dobrando o número de 1.070 obras.
‘‘O nosso acervo é feito com as edições do Salão Paranaense. Então temos uma mostra significativa da produção da arte brasileira, principalmente dos anos 60 e 70’’, explica. Segundo Amaral a maioria dos grandes nomes em voga no País está ali. ‘‘Premiamos hoje os que serão figuras-chave no 3º milênio’’, prenuncia.
Apesar do apoio da Petrobrás que se dispôs a bancar as reformas, ainda assim o Museu de Arte Contemporânea precisa de patrocinadores. O Setor de Pesquisa e Documentação, o mais completo em artes plásticas no Paraná, com cerca de 16 mil artistas cadastrados entre paranaenses, brasileiros e estrangeiros, além de museus, galerias e demais entidades culturais, precisa de um arquivo deslizante.
O preço desse arquivo está em torno de R$ 50 mil. ‘‘Vamos fazer a aquisição através do incentivo fiscal da Lei Rouanet’’, conta Amaral. ‘‘O projeto foi aprovado, o desafio agora é encontrarmos empresários que tenham interesse em colaborar com o museu.’’
Não terminam aí as campanhas do MAC. Ele precisa de terminais de computadores para se atualizar também na tecnologia. A Sociedade Amigos do Museu fez a doação de dois terminais, mas a direção quer mais. A meta é chegar a 20 aparelhos. ‘‘Queremos sair do médio porte para nos situarmos entre os melhores museus’’, enfatiza Amaral.
Lenora Pedroso e Ester Troib Knopfholz, assessoras do diretor e seus ‘‘braços direitos’’, como ele diz, observam que o MAC está aberto às escolas públicas e particulares, num intensivo trabalho educativo, com monitoria. E para aumentar os títulos da biblioteca mantém-se atentas aos lançamentos dos livros de arte - onde uma nova obra é publicada, elas solicitam doações. Até agora as respostas têm sido das melhores, afirmam.

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