MAB abre mostra sobre a presença feminina na arte
São Paulo, 03 (AE) - O Museu de Arte Brasileira (MAB) da Faap também optou por uma exposição de acervo para reiniciar suas atividades neste semestre. Desta vez, o tema escolhido foi a figura feminina, um dos mais recorrentes entre as 2,5 mil obras que compõem a coleção dessa instituição. O resultado é uma exposição bastante diversificada, com 66 esculturas, pinturas e desenhos de 38 autores diferentes, que traça um amplo painel da presença feminina na arte brasileira, do fim do século passado até nossos dias.
Concentrando toda a atenção sobre o tema, os organizadores evitaram propositalmente qualquer leitura cronológica ou estilística. Apesar de uma ou outra obra apresentar uma estilização mais acentuada da figura feminina, como as esculturas de Bella Prado, todas elas são figurativas. "Procuramos evitar criar segmentos como retratos e nus", explica o museólogo e curador da exposição, José Luiz Hernandez Alfonso. A estrutura museológica tradicional foi quebrada e no lugar criou-se um espaço cenográfico para estimular o envolvimento do público.
As obras não estão nas paredes, mas em divisórias em tule branco (uma relação evidente com os estereótipos de feminilidade) que formam um labirinto. A transparência cria um efeito curioso, permitindo que o espectador vislumbre a exposição de forma geral. A iluminação também foi estudada cuidadosamente. Cada obra é iluminada pontualmente, enquanto o restante do espaço permanece em forte penumbra.
"Fizemos essa coisa meio labiríntica para que o público tenha um divertimento estético e não para mostrar uma tese ou uma idéia", diz Hernandez. Esse estilo mais espetacular de montagem é uma característica bastante reforçada nos eventos mais recentes da Faap e vem obtendo grande sucesso de público. Em outras palavras, a contribuição individual de cada obra é sacrificada em benefício de um conjunto que fala mais diretamente aos sentidos do espectador. Isso não quer dizer que a seleção não inclua grandes destaques, assinados por mestres como Anita Malfatti, Portinari, Lasar Segall e Flávio de Carvalho.
"A seleção foi feita em função da qualidade estética ou artística das obras", explica o curador. Num primeiro momento, a equipe do museu fez um levantamento de todas as obras do acervo que tivessem relação com o tema e conseguiram identificar mais de 500 com referência explícita à mulher. A partir daí foi realizada uma seleção que levou em conta a importância do artista e da obra. Uma característica interessante dos trabalhos selecionados é que eles fogem do estereótipo, evitando mostrar as marcas registradas de cada autor. A sensualidade das mulatas de Di Cavalcanti, por exemplo, deu lugar a obras menos conhecidas do artista.
Mesmo assim, há uma grande desigualdade entre os trabalhos, com evidente prejuízo para as obras mais recentes. Apesar de ser grande a presença numérica de trabalhos das décadas de 70 e 80 na coleção da Faap, as obras modernistas são o grande destaque desse acervo. (M.H.) Serviço - "A Figura Feminina no Acervo do MAB". De seg. a sex.
das 10 às 21 h; sáb. e dom., das 13 às 18 h. Faap. Rua Alagoas, 903,tel. 3662-1662. Até 29/8. Abertura quinta-feira





