O nome de batismo é ‘‘Passione’’. Mas também pode ser chamado pela alcunha de ‘‘Per Amore 2, a Missão’’. Sim, sob as bênçãos de São Genaro e de olho na boa aceitação do trabalho anterior, Zizi Possi resolveu repetir a dose e volta à cena com mais um disco com canções italianas. Mais um!! Sai com uma tiragem inicial de 250 mil cópias e, de acordo com a assessoria de imprensa da moça, em quinze dias de lançamento vendeu 60 mil cópias. E é com ‘‘Passione’’ (Polygram), seu 15º disco, que a cantora paulistana está comemorando 20 anos de carreira.
Pois muito bem. ‘‘Passione’’ é sofisticado e coisa e tal. Traz Zizi Possi com mais firmeza interpretativa. Porém, se pode colocar cego e omisso diante do fato de o disco ser uma continuação assim, assim de ‘‘Per Amore’’, que vendeu a incrível marca de 600 mil cópias. E é aí que reside o problema. ‘‘Passione’’ mesmo sendo sofisticado e trazendo Zizi cantando lindo como sempre, não consegue - muito - repetir a magia de ‘‘Per Amore’’ que, ano passado, arrebatou o Brasil inteiro em pleno verão.
ReproduçãoTrata-se de um trabalho muito bem produzido - novamente foram convocados músicos do Brasil, Nápoles e Londres - mas se em termos comerciais é oportuno do ponto de vista estético quase nada acrescenta à discografia de Zizi Possi, elevada a condição de diva desde que resolveu dar uma guinada e tanto em sua carreira - se bem que há poucas máculas em seus primeiros discos.
Entretanto, Izildinha quis tirar um pouco mais de proveito do reconhecimento - merecido - de público e crítica que se envergaram diante do disco anterior. Se as vendagens vão seguir o mesmo caminho de ‘‘Per Amore’’, esses são outros quinhentos. Se bem que tudo pode mudar de figura se alguma faixa de ‘‘Passione’’ for pinçada, quem sabe, para embalar o romance dos protagonistas da próxima novela das oito. Da Globo, obviamente.
E matéria-prima para isso não falta em ‘‘Passione’’. Pelo menos duas músicas, das mais conhecidas, podem fazer o querido telespectador sair correndo para comprar o disco - ‘‘Io Che Amo Solo te’’ (de Sérgio Endrigo, que Zizi já havia registrado em 86) ou mesmo a bela versão com leve toque blue-jazz de ‘‘Canzione Per Te’’ (Bardoti-Endrigo-Bacalov).
Ao todo, 14 faixas distribuídas em exatos 48 minutos e 28 segundos. É preciso estar bastante disposto para ouvir o trabalho numa sentada só. E novamente Zizi foi buscar o biscoito fino da música italiana - as canções napolitanas. A concepção musical mais uma vez puxa para o estilo intimista que vem acompanhado a cantora. E é aí que reside o problema. A distribuição das faixas - mesmo bem arranjadas - pode causar uma certa inquietude no ouvinte comum pelo fato de haver uma preocupação em destacar mais a delicadeza do canto ou a sutileza dos arranjos do que propriamente em não deixar o disco retilíneo, quase à beira da melancolia profunda.
Uma bela surpresa fica por conta da participação de Chico Buarque em ‘‘Anema e Core’’ (Titomanlio - S.D’Esposito). Fantástica a interpretação de Zizi que segura a onda do colega de microfone que não consegue disfarçar os ‘‘esses’’ de seu sotaque carioca.
Em meio às canções de amor, algo de humor. Está lá em ‘‘Io, mammeta e tu’’ (R.Pazzaglia - Domenico Modguno), na qual Zizi Possi canta com sutil irreverência versos do tipo: Eu, tua mãe e você!/ Passeamos por Tulete/Nós na frente e a mãe atrás/Eu, tua mãe e você! /Sempre atrás, coisa de louco. Ah, sim as letras vêm acompanhadas de tradução.
Mas há algo de arrebatador em ‘‘Per Amore 2, a Missão’’, aliás, ‘‘Passione’’. É ‘‘Cu’mme’’ (Enzo Gragnaniello). De se ouvir. E ouvir. E ouvir. E ouvir!! Tá, arrisque também ‘‘Grande, Grande, Grande’’ (A.Testa - Tony Renis). Agora, quem quiser arriscar a ouvir o disco por inteiro, manda ver! Só não vale sair por aí, depois da audição, dizendo que já está cansando um pouco a beleza essa fase italiana de Zizi Possi...

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