São Paulo, 14 (AE) - Foi com uma grande linha diagonal sobre o jardim do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) que Lygia Reinach recebeu o convite para representar a América Latina na Bienal de Cerâmica de Tóquio, que começa no fim de outubro. Embora a artista acredite que a indicação de Nelson Aguilar para o evento, que a cada edição abre convites para apenas três artistas estrangeiros, tenha surgido por causa da instalação realizada no ano passado, ela vai mostrar no Japão um trabalho completamente diferente daquela montagem.
A obra do MuBE era composta por 52 peças pequenas, em tonalidades de barro diferentes. Juntas, elas compunham um roteiro de chafarizes incrustados no chão coberto por pedrinhas. Na Bienal japonesa, Lygia mostrará uma única peça de 1,2 m x 1,6 m, em cerâmica negra. A água e o movimento circular das peças, duas constantes no trabalho de Lygia, não participam da grande peça. Mas a alusão à natureza continua presente na criação. "É uma obra que lembra muito o barro em seu estado mais bruto", descreve a artista que executará o objeto em solo japonês. A peça, sem título, existe apenas em protótipo.
A peça é feita de uma espécie de justaposição de recipientes, como bromélias que crescem em troncos de árvores. E como em sua série de peças móveis, grandes estruturas que se movem presas a um eixo, pode ser transformada com o toque da mão do espectador. "Chegarei antes do início da Bienal para a realização da peça e de outras duas, para uma outra exposição no fim do ano, também em uma galeria japonesa".
Autora do conjunto de esculturas da Estação Ana Rosa do Metrô, em São Paulo, a ceramista diz que, apesar de seus 19 anos de trabalho e da participação em mostras nacionais e internacionais importantes, se sente "com um frio na barriga" por ter sido convidada a expor na Bienal no grande centro de tradição da cerâmica. "Mas estou muito empolgada principalmente pelo fato de se tratar de um espaço expositivo aberto", acrescenta ela.
A artista plástica, que participou da última Bienal do Barro, tem como hábito criar para espaços abertos, de preferência, públicos ou "quase públicos". Ateliê na rua - É o caso, por exemplo, do Centro de Convivência do Sesc Pompéia, onde Lygia distribuiu suas peças sobre a superfície de água que corta o espaço. "Um de meus projetos do momento é ocupar toda a minha rua com o que faço no ateliê". Até o fim do ano, os brasileiros poderão ver a obra de Lygia na 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura (BIA), em novembro, em que a artista levará a peça vertical formada por grandes esferas coloridas.
Quem não quiser esperar até o evento, pode passar pela Rua Resedá, em São Paulo, que já tem muitas árvores, canteiros e muros convivendo com imensos cachos de esfera de cerâmica da artista.

mockup