São Paulo, 15 (AE) - Lygia Pape é a principal ganhadora do 3.º Prêmio Johnnie Walker de Artes Plásticas, que será entregue amanhã (16) à noite no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio). A artista plástica vai receber o troféu e a premiação de R$ 30 mil. Ela também inaugura uma mostra no museu, ao lado dos colegas Cildo Meirelles e Gilvan Samico, ambos ganhadores dos segundos troféus e do prêmio de R$ 25 mil para cada um.
Agnaldo Farias, curador do museu carioca e um dos integrantes do júri do prêmio, explica que a estrutura do Johnny Walker, que privilegia um nome para o prêmio maior, torna a escolha mais difícil. "Mas Lygia foi escolhida pelo arco de sua trajetória, que não só passa por momentos importantes da nossa arte, como por linguagens e discussões que atingem debates amplos e diversificados sempre alimentados pelo experimentalismo", observa o curador.
A artista vai mostrar no MAM sua instalação "Quadrado Vermelho", feita exclusivamente para esta exposição e a escultura "Verde", deste ano. Ambas as peças, observa Farias, trazem a idéia de contaminação. A primeira, por exemplo, é composta de um quadrado desenhado por luz fluorescente vermelha, instalado na parede, próximo a um polígono semelhante, desenhado no chão com cal. Depois de o olhar do espectador passar pelo desenho da parede, o efeito ótico das cores complementares transforma a cal branca do chão em um quadrado verde. "O trabalho de Lygia, assim como o de Cildo, apontam para o que há de mais inquisitivo na produção atual brasileira."
Cildo Meirelles mostra na exposição, que fica aberta até 13 de fevereiro, duas criações da série "Volumes Virtuais/Paraty, 68-69". Nessas obras, o artista plástico cria com fios de lã ou algodão figuras geométricas tridimensionais. As linhas de Cildo Meirelles, amarelas, dão origem a volumes que ocupam um espaço de 360 centímetros por 120 centímetros por 120 centímetros do MAM-Rio, criando assim seus volumes virtuais, como diz o título.
Farias diz ainda que o prêmio procura não privilegiar nenhuma linha artística, nem perfil, currículo ou projeção - quesito este que não falta para Lygia ou Cildo. "Essa é uma das razões da presença de Samico, que, em contraposição ao experimentalismo múltiplo de Lygia, sempre trabalhou com um mesmo suporte, a gravura, utilizando o mesmo universo simbólico", observa o curador.
A contraposição continua na exposição. Ao lado das criações tridimensionais de Lygia Pape e Cildo Meirelles, Samico mostra uma série de 12 xilogravuras que evocam o imaginário da literatura de cordel. "A escolha de Samico também se deve ao fato de ele, apesar da trilha longa de trabalho, não ter a mesma projeção e o mesmo reconhecimento nacional de Lygia e Cildo Meirelles", conclui Farias.

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