Lygia autografa seus cadernos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 1998
Agência Folha 
Lygia Fagundes Telles começou a escrever suas primeiras histórias quando tinha oito anos. Com a caneta na mão direita, traçava histórias de horror nas últimas páginas de seus cadernos escolares.
Hoje Lygia volta a usar a caneta para escrever em cadernos. Desta vez, no entanto, ela não assina as últimas, mas as primeiras páginas. E não é Lygia quem vai pôr histórias nos cadernos. Os cadernos é que contam histórias e a história de Lygia. É que a escritora autografa hoje, a partir das 19h30, exemplares dos Cadernos de Literatura Brasileira, publicação do Instituto Moreira Salles que semestralmente faz a radiografia literária e biográfica de um autor nacional.
Como já se tornou marca, os Cadernos, em sua quinta edição, trazem cardápio vasto. As primeiras páginas da publicação são preenchidas pela seção Memória Seletiva. É um espaço em que a história de Lygia é contada por histórias que marcaram sua vida, organizadas em forma de cronologia. Aqui entra também uma porção de registros fotográficos da vida da escritora. De encontros literários (fotos dela com o escritor argentino Jorge Luis Borges ou com Clarice Lispector, por exemplo) a encontros amorosos (Lygia e Goffredo da Silva Telles Jr. e Lygia e Paulo Emílio Salles Gomes, primeiro e segundo maridos).
Páginas de papel couchê adiante, começa a ciranda de amigos da autora de Ciranda das Pedras. São depoimentos que figuras como os escritores José Saramago e Hilda Hilst fizeram sobre Lygia, pontuados por poemas que Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira dedicaram à autora. O próximo prato desse cardápio é uma entrevista. Ao longo de 16 páginas, a escritora fala sobre literatura, assim como sobre aborto e homossexualismo.
Nos próximos meses, Lygia, autora de 16 livros, lança Invenções e Memória (Rocco). Os Cadernos trazem na íntegra três dos contos que estarão nesse volume. Por fim, três ensaios. Silviano Santiago, José Paulo Paes e Sônia Régis analisam a lygianidade. Os próximos Cadernos de Literatura Brasileira saem em setembro. O tema é Ferreira Gullar.


