Luz na passarela
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Geraldo Bessa<br> TV Press 
O mundo é sempre mais gentil com a beleza. E em um veículo como a televisão, onde imagem é a base de tudo, o bonito é sempre muito bem-vindo. Isso justifica que o universo da moda seja uma constante inspiração para a teledramaturgia e também uma fonte para autores e diretores na busca por novos rostos. Ao longo do tempo, contrariando o preconceito interno e a falta de preparo, muitas modelos de sucesso investiram na tevê e conseguiram se destacar em papéis de protagonistas, como Silvia Pfeifer e a saudosa Betty Lago.
Atualmente, uma leva de "tops" vem invadindo o vídeo em desempenhos oscilantes. De Camila Queiroz, Yasmin Brunet e Alessandra Ambrósio em "Verdades Secretas", passando por Fernanda Motta em "Totalmente Demais" e Marina Nery, aposta do diretor Luiz Fernando Carvalho para "Velho Chico", próxima novela das nove. "A estética é parte importante do meu trabalho. Quando me mostram um rosto que consegue passar o que penso sobre a personagem, não importa se é modelo ou atriz, o que me interessa é contar a história e propor uma renovação. No caso da Marina, eu vi o Sertão nos olhos dela", destaca o diretor.
Natural de Salvador, Marina recebeu com surpresa o convite para estrelar uma novela da Globo. Ela reside em Nova Iorque desde 2011, começou a modelar aos 15 anos e já fez importantes trabalhos para marcas como Dolce & Gabbana, Calvin Klein, Prada, Christian Dior e Marc Jacobs. "O próprio Luiz me ligou e fez a proposta. É claro que fiquei apreensiva, mas ele me disse para confiar e estudar. É isso que estou fazendo", conta a intérprete de Leonor, protagonista da primeira fase da novela de Benedito Ruy Barbosa.
Algo semelhante aconteceu no ano passado com Camila Queiroz. Descoberta pela equipe do diretor Mauro Mendonça Filho, ela teve aulas intensificadas e o apoio de diversos profissionais para viver a "lolita" Angel de "Verdades Secretas". "Não imaginava que a personagem fosse ser tão difícil e contraditória. Parei tudo o que estava fazendo e me entreguei", valoriza Camila.
Jovens e com carreiras internacionais promissoras, Marina e Camila vão na contramão do caminho natural que interliga as carreiras de modelo e atriz. No final dos anos 1990, por exemplo, já sem a mesma empolgação para viver de fotos e passarelas, Silvia Pfeifer viu em um convite para fazer cinema a chance de desenvolver seu lado atriz. O filme não aconteceu, mas seu teste foi parar na mão de Daniel Filho, todo-poderoso diretor da Globo na época, que indicou Silvia para estrelar a minissérie "Boca do Lixo", de 1990.
"Tive uma semana de preparação. Estava crua e fui duramente criticada. Hoje, as estreantes têm toda uma 'entourage' para encarar o estúdio. Fui pela minha intuição", conta a atriz, que não se deixou levar pelas críticas e investiu em cursos e peças. Em pouco tempo, acabou sendo escalada para outros papéis importantes em tramas como "Meu Bem, Meu Mal", "Perigosas Peruas" e "Tropicaliente".
Assim como Silvia, Mila Moreira, Luiza Brunet, Betty Lago, nomes mais recentes como Letícia Birkheuer e Agatha Moreira viram na carreira de atriz uma boa forma de se afastar dos desfiles e da vida regrada de modelo. "Usei o dinheiro que ganhei com a moda para pagar cursos de interpretação. Até gostava de modelar, mas não me via fazendo isso por muito tempo", conta Agatha, que teve sua primeira experiência na tevê como protagonista de "Malhação".
Só por experiência ou não, ficar e conseguir seu espaço na tevê requer força de vontade para ir atrás de novos projetos e paciência para lidar com prováveis críticas. Ex-modelo internacional e Miss Brasil em 2007, Natália Guimarães é outra que sempre teve seu foco no vídeo. Com participações em tramas como "Caminhos do Coração" e "Bela, A Feia", da Record, ela acredita que o preconceito com modelos e mulheres bonitas que "caem de paraquedas" na atuação é quase institucional. "É o medo do novo. Isso sempre vai acontecer, vai de cada um mostrar suas aptidões", destaca.


