Uma das maiores características de uma telenovela é ser uma trama aberta. Por isso, a trajetória de certos personagens muitas vezes sofre reviravoltas. Ou seja, de uma hora para a outra, passam a ter características diferentes das que apresentavam. No início de "Amor à Vida", Amarilys, personagem de Danielle Winits, era uma boa amiga e solidária com o casal gay Eron e Niko, de Marcello Antony e Thiago Fragoso, que lutavam para ter um filho. Na reta final da trama de Walcyr Carrasco, que termina no primeiro mês de 2014, Amarilys se tornou uma maiores vilãs do folhetim, ao tentar separar o carismático casal homoafetivo. "Está cada vez mais difícil de entender a Amarilys", brinca Danielle, aos risos.
Para a atriz, no entanto, é necessário buscar as reais motivações de sua personagem. "Ela é muito carente e enxergou nessa conturbada relação a possibilidade de conseguir o que sempre quis: uma família. O mundo é muito machista, as pessoas não veem que o Eron também traiu o parceiro dele", defende.
Com 40 anos recém-completos, Danielle Winits tem 20 só de carreira na televisão. "Cria" do teatro – começou ainda adolescente no Tablado, berço de muitos atores cariocas –, ela estreou na tevê em 1993, como a Eva de "Sex Appeal".
De lá para cá, foram muitos trabalhos, a maioria deles focados na forma voluptuosa da atriz. O estereótipo de "gostosona", no entanto, não a incomoda. "Na tevê, é comum o ator ficar muito taxado. Principalmente, quando começa muito cedo, como foi no meu caso. Apesar das semelhanças entre alguns personagens, consegui imprimir meu trabalho e hoje interpretar um papel livre de estereótipos", analisa.

Em "Amor à Vida", Amarilys ganhou contornos de vilã ao tentar separar Eron e Niko. Como você enxerga essa mudança na trajetória da personagem?
Ela entrou no meio de um relacionamento estável. Até hoje, não consigo decifrar se foi por amor mesmo ou por uma fragilidade de momento. Está cada vez mais difícil entender a Amarilys. Não sei se ela fantasia essa relação entre ela e o Eron ou se realmente esse amor existe. Ela misturou os sentimentos: o amor, o desejo de ter uma família... Acho plausível isso acontecer. Ela projeta a felicidade e a realização dela no Eron. O fato de Amarilys se intrometer e objetivar destruir uma relação estabelecida fez com que os telespectadores creditassem a ela o posto de vilã.
Ao longo da sua trajetória, muitas de suas personagens tiveram em comum a comédia e o jeito bem sensual. Você, em algum momento, se sentiu marcada por um papel?
Às vezes, é difícil diferenciar os personagens porque na tevê o ator é muito taxado. É uma marca de como as pessoas veem você, como você é fisicamente. Consegui imprimir a comédia dentro do meu trabalho, o que sempre foi um grande desejo meu, e não tenho preconceito em relação a nada e a nenhum personagem. Os seres humanos são muito parecidos, assim como alguns de meus personagens. Tive alguns papéis que acredito que tenham sido divisores de água na minha carreira. A Alicinha, de "Corpo Dourado" (1998), foi um deles. Era minha primeira comédia e até hoje as pessoas falam nela. E agora creio que "Amor à Vida" vai ser um novo divisor.

Muda alguma coisa com a chegada dos 40 anos em termos de carreira? Como você escolhe os trabalhos que faz, tanto na tevê como no teatro e cinema?
Muda muita coisa. Para aceitar os trabalhos hoje em dia é diferente. Só fui ter filho depois dos 30 anos, pude traçar meu caminho com mais liberdade, com menos medo de errar. Agora, meus filhos são minha prioridade, procuro conciliar da melhor forma possível. Não posso deixar minha família de lado para trabalhar. O ritmo de gravações, sobretudo na tevê, é muito forte. Como emendei "Amor à Vida" com o final de "Malhação", vou precisar de um tempinho maior fora do ar.

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