Luz do dia marcou movimento
Luz do dia marcou movimento
A luminosidade natural do dia e a maneira como ela se transforma no decorrer da jornada e das estações do ano foram obsessões para grande parte dos impressionistas, além de características marcantes do movimento. As mudanças de luz obrigaram os artistas - recém-saídos de seus ateliês - a pintar com mais rapidez, sem se preocupar com o acabamento preciso do trabalho.
É possível dizer que o clima é o protagonista de muitas telas impressionistas e que Cézanne foi, entre os artistas do movimento, um dos que se debruçou com mais afinco sobre essa temática, ao retratar a montanha de Santa Vitória por mais de 60 vezes, a partir de 1878, durante 30 anos.
As mudanças climáticas e seus reflexos nas pinturas impressionistas são o tema de um pequeno e belo volume lançado recentemente pela Editora Melhoramentos. Os Impressionistas e as Estações do Ano (R$ 27,50) traz ótimas reproduções coloridas de telas acompanhadas por textos de autores da época, como Émile Zola, ou textos e poesias de autores alheios ao movimento, como Rainer Maria Rilke e Cesário Verde. Uma estação em particular, o inverno, é o tema de uma mostra em cartaz no Museu de Arte do Brooklin, em Nova York. Impressionistas no Inverno: Efeitos da Neve apresenta mais de 60 telas com cenas invernais de pintores como Monet, Renoir e Gauguin.
O livro de ensaios Modernidade e Modernismo - A Pintura Francesa no Século 19 (R$ 72,00), lançado em maio pela editora Cosac & Naify, primeiro dos quatro volumes da série Arte Moderna: Práticas e Debates, é um amplo e fundamentado estudo sobre o desenvolvimento do impressionismo e suas relações com as características socioeconômicas da época. O livro procura, além de dar um contexto histórico do movimento, criar no leitor um olhar crítico sobre a obra de arte, desvinculando-o da simples observação e aproximando-o de estâncias, como o papel do mercado e da crítica.
Enquanto o livro prima pelo apuro e profundidade, o CD-ROM Impressionismo (R$ 44,00), lançado pela Ática Multimídia, surpreende por sua superficialidade no tratamento das obras e autores do movimento. Seu quadro cronológico, por exemplo, relaciona, sem qualquer contextualização, dados como uma exposição particular de Monet e O Capital, de Marx. Também traz banalidades, como um jogo em que o espectador deve encontrar os pares de quadros.
As telas impressionistas são o forte do acervo de mais de 5 mil obras do Masp, que conta, por exemplo, com obras-primas de Cézanne, como O Grande Pinheiro (1890-1896), além de obras de Renoir, Van Gogh, Gauguin, Manet e Monet. Também são destaque nas mostras que realizou em mais de 50 anos de vida. Suas duas exposições mais visitadas são Monet - O Mestre do Impressionismo, que recebeu 401.201 visitantes entre maio e agosto de 97, e Pintura Francesa no Acervo do Masp (121.611 pessoas entre setembro de 92 e março de 93).





