Em 1997, a atriz japonesa Kyoko Tsukamoto projetou o filme ‘‘Gaijin 1’’ para os dekasseguis brasileiros no Japão. A atriz foi protagonista da 1ª versão. Imediatamente, a platéia entendeu o significado de sofrimento, coragem e saudades da pátria e família. Desse entendimento, surgiu a idéia de se fazer ‘‘Gaijin 2’’, unindo histórias paralelas na linha do tempo. Hoje, em Londrina essa concentração de esforços se materializa no set de filmagens sob o comando de Tizuka Yamasaki. Em pleno fim de verão, sob um sol escaldante elevando os termômetros a 35 graus, foi recriado um cemitério japonês e uma autêntica vila do Japão. A terra-roxa foi camuflada com pedrisco e areia. Posteriormente, a vila será incendiada, reconstituindo a morte dos pais de Titoe, a personagem principal.
As filmagens na cidade cenográfica de Londrina dependem da colheita da soja que margeia a Londrina do passado. Durante a colheita as filmagens seguem para outras locações. Na próxima semana, a equipe parte para Curitiba e Foz do Iguaçu. Algumas cenas serão gravadas no centro de Londrina, nas proximidades da Concha Acústica.
Na tarde de segunda-feira, uma câmera Arriflex 535 B acoplada numa grua captava a imagem em plongê da sequência 142/1, primeira tomada. Na cena, a matriarca Titoe retorna ao Japão e participa de um ritual fúnebre budista, diante do túmulo dos antepassados, juntamente com todo o clã, agora multi-racial. Em cena, Maria (Tamlyn Tomita), Gabriel (Jorge Perugorría), Yoko (Lissa Diniz), Ken (Ryugo Sugimoto), Kunihiro (Eijiro Ozaki) e Titoe (Aya Ono). A sequência representa um inverno japonês e a diretora a todo momento dizia ‘‘samui’’ (frio). Os atores estavam ostentando um elegante figurino de um inverno rigoroso, com cachecol de lã, casacos de couro, luvas. E a equipe técnica derretendo sob o sol impiedoso.
A feirante aposentada residente em Londrina se revelou uma atriz disciplinada e com sensibilidade nata para o cinema. No cemitério ‘‘fake’’, Aya Ono sintetizou a arte cinematográfica no olhar. Todo o set se empolgou, ou seja, mais de 120 pessoas. ‘‘Ela é ótima’’, disse a diretora. Enquanto a cena acontece, Tizuka não desgruda os olhos do vídeo assist (monitor em que a cena gravada pode ser assistida em tempo real). Vários figurantes caracterizados como japoneses transitavam nas imediações.
‘‘Ação/kodô’’ eram as palavras de ordem no set de ‘‘Gaijin 2’’. ‘‘Tamlyn, olha mais para a direita’’, imediatamente a americana responde ‘‘Oh, desculpa’’. A diretora se mostra muito rápida, o que deixa o produtor Flávio Chaves tranquilo. No set, os sotaques diferentes influenciam o aprendizado full time de vários idiomas. Enquanto miss Tomita se esforça para falar em português, ela descobriu um pouquinho do mundo em Londrina. Já Perugorría se desdobra para não escorregar no portunhol e ainda diz algumas palavras em japonês.
O diferencial entre Brasil e Japão, conforme informou o diretor de fotografia Edgar Moura, deve recair no trabalho de luz e cores, o que permitirá na tela a impressão de que algumas cenas realmente foram gravadas em solo japonês, e não na Fazenda Santa Helena. Na finalização, o colorista poderá interferir nas cores. O Brasil será mais iluminado e colorido, o Japão mais sombrio e gris.
Mas afinal, o que representa em termos de valores ‘‘Gaijin 2’’ em Londrina? Segundo informações do produtor executivo Flávio Chaves, a saga nipo-brasileira deve deixar na cidade um valor no patamar de R$ 2 milhões, distribuídos entre mão-de-obra, transporte, alimentação, materiais, combustível, hotéis, fotos, telefones e serviços em geral.
A produção digital do longa de Tizuka Yamasaki vai disponibilizar a partir de hoje no site www.gaijin2.com.br informações atualizadas das filmagens. Além da sinopse do roteiro, fotos, informações detalhadas do elenco e apoio técnico, o produtor Emerson Schmidlin pretende transmitir imagens ao vivo do set de filmagens. A equipe está aguardando para os próximos dias a liberação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Também está sendo produzido um documentário educacional captado em câmera digital, mostrando o passo a passo da super produção. A partir do momento em que for viabilizada a transmissão, a Sercomtel enviará as imagens para Embratel, e assim, poderão ser vistas em tempo real.

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