Luxo e encantamento
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
DivulgaçãoTirar coelho da cartola transformou-se em truque de inicianteSempre sonhei em voar para o alto. Mas nunca imaginei que um dia chegaria a isto. O húngaro naturalizado brasileiro Franz Czeiler Tihany, de 81 anos, assusta-se com a própria sorte. Em 1955, no município de Itapevi, ao redor da capital de São Paulo, ele fundou o Circo Tihany que tinha (contando com ele) dez pessoas entre técnicos e artistas.
A empresa cresceu, ultrapassou as fronteiras e depois de 12 anos volta à terra natal como o mais luxuoso e importante circo brasileiro, e o único a figurar entre os melhores do mundo. Hoje, faz sua estréia em Curitiba, ao lado do Estádio do Pinheirão.
Em nada lembra o tímido Tihany dos anos 50. Um mastro de 30 metros de altura sustenta a lona especial fabricada na França, que abriga no solo 4 mil cadeiras. O circo não tem arquibancada. Uma luxuosa forração azul reveste o hall de entrada, a ampla sala de espera inclui dois bares e a platéia conta, entre outros confortos, com ar condicionado. Tapetes levam os visitantes até os trailers-sanitários.
São detalhes do Circus Tihany Spetacular, como é conhecido lá fora. O emprego mínimo de mastros facilita a visão dos espectadores em qualquer ponto da platéia, o clássico picadeiro é um palco concebido para as mágicas e a engenharia hidráulica foi desenvolvida para o número especial em que acontece uma coreografia da água com o fogo.
MagiaTudo no Circo Tihany é pensado para envolver o público num clima de magia. O visual de sua fachada, com luzes e bandeiras, é o início de um cenário que vai se desdobrar sob a lona. A sessão começa quando o amplo auditório mergulha na escuridão e fachos de luzes incidem sobre uma jovem - a fada-bailarina - que está no alto, recostada numa lua. Ela convida a todos para adentrarem o mundo da fantasia.
Uma companhia de balé, formada por belas mulheres, reproduz a cerimônia da troca da guarda no Palácio de Bukingham, na Inglaterra. O luxo de brilhos e cores está apenas começando. A partir daí começa o desfile dos acróbatas, equilibristas, amestradores, trapezistas, clowns. Os célebres números de mágica, que sempre foram a tônica principal do Circo Tihany, estão ainda melhores.
Helicóptero com tripulantes Pura diversão nesse passeio: os artistas do grupo Los Torosiants jogam basquete sobre uma cama elástica; os Space Pirats fazem evoluções no espaço; cães e gatos desenvolvem juntos suas performances na mais perfeita harmonia, e o público acaba sempre se apaixonando pelas peripécias de um urso simpático que recolhe o tapete depois do show.
Outra paixão que se repete em qualquer praça do mundo é a da platéia com o mímico armênio Eduardo Akopian. Ele consegue enternecer as pessoas num longo discurso feito de gestos, dividido entre os shows dados por seus colegas. Cabe a Akopian costurar os variados quadros, compondo assim uma unidade.
O ilusionista Richard Massone tem importância especial na apresentação. Cabe a ele o espetacular, a mágica que hoje é mostrada pela televisão, das sessões realizadas nos teatros europeus e americanos. A tecnologia avançou nessa área; tirar coelho da cartola transformou-se em truque de iniciante. Pelo menos para o Circo Tihany a realidade é essa.
Franz Czeisler Tihany afirma que investiu pesado para poder apresentar essas mágicas. Ele não cita valores, prefere dizer que sua empresa antecipa o futuro. Estou trazendo o que há de mais moderno, responde. Porém, acabou contando que os equipamentos de luz e som custaram em torno de US$ 500 mil.
A tecnologia facilita a realização dos sonhos: moças voam pelo amplo espaço do circo; bailarinas saem de caixas de vidro e de gaiolas; um motociclista e sua moto desaparecem no ar como por encanto. De uma caixa aparentemente simples o mágico faz aparecer um cavalo. Mas isso não é tudo. O delírio acontece quando seis moças, de pé numa plataforma, desaparecem. No lugar delas surge um helicóptero ocupado por tripulantes.
São duas horas e meia de espetáculo, que termina com um desfile de todos os artistas. Como são originários de variados países, forma-se no picadeiro um leque de 23 nacionalidades. O empresário de 81 anos, que um dia foi ator antes de emigrar ao Brasil, aparece para os aplausos finais. O aplauso, a admiração, o carinho do público é que me dá vida. Faço isto porque gosto, diz, justificando a vida mambembe pelo mundo.


