Luxo e conforto para 7.500 aos domingos
Entre os sócios da Autolon e do Cinema Ouro Verde estavam Arthur Thomas, Alexandre e Celso Garcia Cid (irmãos), Gordon Fox Rule, Ângelo Pesarini, Luiz Estrella, Darvino e Jordão Santoro (irmãos). Todos integrantes da SAL, fundada em 1946, para colaborar com a administração pública em diversos setores, abrangendo o ''incentivo à cultura do povo, o bem-estar social, a defesa do patrimônio histórico'' etc.
Com 1.500 lugares, o Ouro Verde recebe até 7.500 espectadores nas cinco sessões aos domingos. Suas poltronas recuáveis, e não apenas reclináveis, fabricadas em Rio Negrinho (SC) por Móveis Cimo, permitem aumentar o espaço entre as fileiras, para se esticar as pernas e facilitar a passagem. São uma exclusividade do Ouro Verde, o primeiro cinema do país a comprá-las.
Autora de dois livros sobre a arquitetura em Londrina, Juliana Suzuki relaciona entre as originalidades do Ouro Verde rampas atapetadas, pisos de granito e mármore carrara; cortinas de veludo italiano; paredes revestidas de lambris de madeira e aplicações decorativas curvilíneas, típicas dos anos 1950. ''Mais do que um cinema, os arquitetos (Artigas e Cascaldi) certamente sabiam que projetavam um local de encontro'', observa Juliana referindo-se aos espaços amplos de estar para o público.
Divergência entre acionistas contribuiu para que o Ouro Verde fosse transferido à Universidade Estadual de Londrina (UEL) e transformado em cine teatro, em 1978. Risco de desabamento da cobertura determinou a interdição do prédio em 1985, por dez meses, até para os reparos. No cinquentenário, em 2002, o Ouro Verde já não era cinema; o projeto de restauração interna, a cargo do governo estadual, previa a compra de novos projetores e faltou o dinheiro. (W.S.)





