Luxemburgo - A história do Grão-Ducado de Luxemburgo e de sua capital nasceu exatamente em 963 quando o primeiro estrangeiro, o conde franco-alemão Sigefroi, chegou àquelas terras irregulares e construiu um castelo sobre a montanha rochosa de Bock. Desde então o vai-e-vem de reis, imperadores e nobres de toda espécie e sua localização privilegiada garantiram ao pequeno vilarejo um posto de destaque entre as nações que se formavam na Europa medieval.
Das construções do antigo castelo restam apenas uma rede de casamatas (abrigos subterrâneos) e belos vales que lembram as origens da cidade e do país, que leva o mesmo nome da capital. Luxemburgo cresceu ao redor das fortalezas que a protegiam das invasões inimigas. Durante quase quatro séculos, o país esteve nas mãos de estrangeiros, passando pelo mando de espanhóis, franceses e austro-húngaros. Apenas em 1867 voltou a ser considerada uma nação independente, quando foi pronunciada também a neutralidade perpétua do Grão-Ducado.
De economia baseada na atividade bancária, Luxemburgo desenvolveu-se e ainda se mantêm graças ao esforço de muitos estrangeiros que acolheu desde a sua fundação e mais tarde por conta de leis de incentivo à imigração. No início, a população era formada por parentes de nobres e de famílias importantes da Europa. Com a declaração dos direitos de cidadania aos moradores da região, uma avalanche de comerciantes e artesãos tomou conta do emergente reinado. Hoje, um terço dos habitantes são estrangeiros.
O brasileiro Hademar Filho, 20 anos, é um dos mais de 143 mil estrangeiros que vivem no país. Em Luxemburgo desde os 10 anos quando chegou com a mãe, trabalha como barman em um dos vários bares da capital. ''Aqui se encontram muitas pessoas de outros países, a maioria é de europeus mesmo. Entre os que vêm do Brasil, estão principalmente os baianos e goianos. Eu e minha mãe viemos de São Paulo e não pensamos em voltar. As coisas por lá andam muito diferentes de quando saímos'', disse.
Para os que pensam em Luxemburgo como um destino turístico, também são grandes as vantagens, embora o grão-ducado esteja fora dos roteiros tradicionais de viagem à Europa. Menor que o estado de Santa Catarina, o país pode ser conhecido de uma ponta a outra de carro ou, como muitos europeus preferem, de motorhome e trailer. Grandes rodovias existem apenas próximas à capital, mas as pequenas estradas do interior são bem conservadas e a paisagem agrada ao viajante. Castelos e cidades medievais encantam os que preferem a tranquilidade das pequenas e receptivas cidades.
Na capital um passeio a pé leva ao berço da história luxemburguesa e à sede do governo do país que tem como representante maior o grão-duque Henri de Luxemburgo. As visitas ao interior do Palais Grand Ducal, residência da família real desde 1890, devem ser agendadas. Ainda no centro da cidade, a Catedral de Nôtre-Dame guarda a imagem da padroeira Nossa Senhora dos Aflitos. Um parque construído a 50 metros abaixo do nível da cidade, por onde se tem acesso à casamata de Pétusse, deixa a caminhada ainda mais agradável.
Seguindo para os arredores da cidade, a rede de túneis cavados na rocha convida para um passeio diferente. Maquetes, ilustrações, ruínas arqueológicas e os corredores alguns deles minúsculos dão o cronograma da construção do antigo castelo, das muralhas que protegiam a cidade e da Casamata de Bock, que serviu de abrigo à população e aos nobres em vários conflitos. O último deles durante os ataques alemães na Segunda Guerra Mundial.
Da casamata, tombada pela Unesco em 1996, é possível observar o panorama único do Centro Europeu Kirchberg com as cidades baixas de Grund, Clausen e Pfaffenthal, o muro e as torres semicirculares das fortificações de Wenceslau, a abadia de Neumunster e os fortes Vauban. Ali se inicia também o circuito cultural e natural ''Wenzel'', declarado itinerário cultural exemplar pelo Conselho da Europa. A sensação de percorrer estes caminhos minúsculos e galerias subterrâneas é incrível, é viver a história na sua própria nascente.

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