Criador da série ''Jeannie é um Gênio'', roteirista vencedor do Oscar em 1948, dramaturgo premiado e escritor de best-sellers como ''O Outro Lado da Meia-Noite'' e ''A Herdeira'', o norte americano Sidney Sheldon morreu anteontem à tarde, em um hospital de Palm Springs, Califórnia, aos 89 anos, de complicações de uma pneumonia.
A primeira mulher de Sheldon, Jorja Curtright Sheldon, morreu em 1985. O escritor era casado com Alexandra Kostoff desde 1989, e deixa ainda uma filha, a escritora Mary Sheldon, e dois netos. A família não deu detalhes sobre o funeral.
Nascido no dia 17 de fevereiro de 1917, em Chicago, filho de pai alemão e mãe russa, ambos judeus, Sheldon Shechtel se mudou para Hollywood aos 17 anos, quando começou a trabalhar como parecerista de roteiros para o estúdio Universal.
Aos 25, depois de servir como piloto durante a Segunda Guerra, já havia acumulado três musicais de sucesso na Broadway: ''A Viúva Alegre'', ''Jackpot'' e ''Dream With Music''. Ainda como dramaturgo, foi vencedor de um Tony Award, em 1959, pelo musical ''Redhead'', estrelado por Gwen Verdon.
Depois de vencer o Oscar de melhor roteiro original por ''Solteirão Cobiçado'', comédia estrelada por Cary Grant e Shirley Temple, Sheldon, já roteirista dos estúdios MGM e Paramount, escreveu outros 25 filmes, entre eles ''Desfile de Páscoa'', com Judy Garland e Fred Astaire e ''Maravilhas em Desfile'', com Bing Crosby.
Em 1963 o escritor se voltou para a televisão, como roteirista de ''The Patty Duke Show'', e posteriormente como criador, produtor e roteirista de ''Jeannie é um Gênio'', seriado que teve cinco temporadas, entre 1965 e 1970, quando ele começou a escrever seu primeiro romance, aos 50 anos.
O resultado foi ''A Outra Face'', desprezado pela crítica, mas que vendeu 21 mil cópias na edição de capa dura, e 3,1 milhões na edição em brochura. Lançado em 1975 no Brasil, onde esteve duas vezes, esse é o romance mais vendido de Sheldon no país, com mais de 270 mil exemplares impressos.
Na segunda metade da década de 70, ainda produzindo e escrevendo seriados de TV como ''Casal 20'', Sheldon continuou a carreira de romancista, tornando-se um habitué das listas de mais vendidos. Os personagens femininos fortes eram sua marca registrada.
Nos anos 80, todos os romances que escreveu - ''A Ira dos Anjos'', ''O Reverso da Medalha'', ''Se Houver Amanhã'', ''Um Capricho dos Deuses'' e ''As Areias do Tempo'', tornaram-se minisséries de TV. Também nessa década Sheldon recebeu uma estrela na Calçada da Fama, em Holllywood.
Ao todo, o escritor publicou 18 romances e foi traduzido para 50 idiomas, o que lhe rendeu, nos anos 90, uma menção no livro de recordes ''Guinness'' como ''autor mais traduzido do mundo''. Seus livros foram comercializados em 180 países. O número de vendas já ultrapassam 300 milhões de exemplares em todo o mundo.
Em 2000 e 2004 saem no Brasil ''O Céu Está Caindo'' e ''Quem tem Medo de Escuro?'', último romances do autor. Sua carreira soma ainda 250 roteiros para televisão, 25 filmes e seis peças para a Broadway.
Em 2005, o escritor lançou seu último livro, ''O Outro Lado de Mim'', autobiografia de 378 páginas em que dedica apenas 20, e com interrupções, à sua experiência como romancista. ''Em ''O Outro Lado de Mim', escrevi sobre meus primeiros anos na Broadway e em Hollywood. Eu só comecei a escrever romances quando tinha 50 anos de idade'', lembrou Sheldon em entrevista, em dezembro de 2005. ''Escrevi minhas memórias porque decidi fazê-lo enquanto sou jovem. Os romances que eu escrevi não existem para justificar nada, eles foram feitos para entreter o leitor.''

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