LUTO - O samba perde Noite Ilustrada
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segunda-feira, 28 de julho de 2003
Pedro Alexandre Sanches<br> Agência Folha 
Morreu às 8 horas de ontem, aos 75 anos, o sambista mineiro Noite Ilustrada, intérprete histórico do samba ''Volta por Cima'', do paulista Paulo Vanzolini. O cantor lutou contra um câncer ósseo nos últimos sete anos. Ele estava internado desde o dia 27 em Atibaia (60 km ao norte de São Paulo), onde morava desde 1996. O enterro estava previsto para hoje, no cemitério Parque das Flores, em Atibaia, onde já está sepultada outra grande voz da música popular brasileira, a de seu amigo Silvio Caldas (1908-98).
Ele deixa dois discos inéditos, que não chegou a ver editados. ''Noite Ilustrada Canta Ataulfo Alves - Ao Mestre com Carinho'' deve chegar às lojas na semana que vem, pela gravadora independente Atração. ''Noite Interpreta Lupicinio Rodrigues'' está sendo finalizado na Atração, que promete lançá-lo em agosto ou setembro.
Mário de Souza Marques Filho nasceu em 10 de abril de 1928, em Pirapetinga, Minas Gerais. Violonista, carregava o apelido de Bom Crioulo até ser convocado às pressas para se integrar à excursão da revista musical ''A Noite Ilustrada'', de Zé Trindade. Um dia, ao apresentá-lo, Trindade esqueceu seu nome e, de improviso, cravou o apelido. ''Quando a gente não gosta do apelido é que pega mesmo. Não soava muito bem, não. Mas me acostumei'', disse numa entrevista emm 1998.
Nômade, acabou no Rio, onde foi músico acompanhante de sambistas como Moreira da Silva e Geraldo Pereira, em shows em circos e parques de diversão.
Estabelecido em São Paulo, ganhou o circuito de boates, já como crooner. Gravou seu primeiro disco de 78 rotações em 1958, pela gravadora pernambucana Mocambo nos anos 80, passaria temporada radicado em Recife, gravando pelo selo local Polydisc.
O instante de glória viria em 1963, quando consagrou os versos ''reconhece a queda e não desanima/ levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima'', de Vanzolini. Afeito aos compositores de sua geração ou mais velhos, o cantor de vozeirão à moda antiga gravou em seu auge pela Philips (hoje Universal), que não mantém nenhum de seus álbuns em catálogo. Gravou importantes nomes do samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho e, em mais de 40 anos de carreira, consagrou-se como um dos grandes cantores do ramo.
Entre seus sucessos destacam-se ''Cara de Boboca'' (Jaime Silva/ Edmundo Andrade), ''Barracão'' (Luís Antônio/ Oldemar Magalhães) e ''O Neguinho e a Senhorita'' (Noel Rosa de Oliveira/ Abelardo Silva), ''Toalha de Mesa'' (Dora Lopes/ Carminha Mascarenhas/ Chumbo). Semi-esquecido no final do século, foi resgatado em 2001 pela Trama, por onde gravou ''Perfil de um Sambista'', com produção de Fernando Faro.


