LUTO - Fotografia perde Jesus Santoro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de agosto de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Morreu no último sábado, em Curitiba, o fotógrafo mineiro Jesus Santoro, 79 anos. Ele estava internado no Hospital Erasto Gaertner, mas não resistiu ao câncer de próstata que tratava. Santoro deixa um dos registros fotográficos mais completos do Paraná, feito entre as décadas de 50 a 80. O acervo boa parte doado ao Museu da Imagem e do Som (MIS) é composto em sua maioria por fotos de cidades paranaenses; manifestações folclóricas; personalidades; indústrias; estradas; plantações e festas religiosas no interior do Estado.
Natural de Uberaba, em Minas Gerais, Santoro chegou em Curitiba aos 20 e poucos anos. Conviveu com a nata intelectual de Curitiba, em plena efervescência cultural da cidade. Era amigo de Poty Lazarotto, Miguel Bakun, Wilson Martins e Marcel Leite, para citar alguns. Quando chegou em Curitiba já sabia fotografar, arte que aprendeu no seminário, com um padre francês. Foi lá também que aprendeu a falar latim, francês, russo e começou a dar os primeiros passos na arte culinária.
Mas mesmo com toda essa bagagem, Santoro largou tudo para viver como eremita no litoral paranaense. Rasgou documentos, doou boa parte do seu acervo e passou os últimos 15 anos vendendo milho e banana às margens da BR-277. Voltou à Curitiba ''resgatado'' por amigos no começo do ano, para tratar do câncer. Antes de ser internado chegou a gravar uma entrevista para o MIS contando sua curiosa história, mas não os motivos que o levaram a deixar a vida na cidade. A entrevista deve ser editada pelo museu, mas ainda não tem data para ser mostrada ao público. Jesus Santoro foi sepultado ontem, no Cemitério de Colombo, região metropolitana.


